SOS Floresta

Estado protege negócio em França

Estado protege negócio em França

Só na região da Borgonha, a floresta alimenta mais de 5000 empresas e cerca de 22 mil postos de trabalho. O mesmo se passa um pouco por toda a França, inclusive na floresta de Bertranges, situada em Nevers. Aqui, confirmou o JN, os 8000 hectares de mata estão cobertos, essencialmente, por carvalhos, usados para, entre outros fins, o fabrico de barricas essenciais à produção dos melhores vinhos do mundo. Como os alvarinhos criados por Anselmo Mendes.

Só o Grupo Charlois - que fatura anualmente 75 milhões de euros com o fabrico de 80 mil barricas da marca Berthomieu e Ermitage, mas também na produção de travessas de madeira para caminhos-de-ferro e em produtos para o setor da cosmética - compra cem mil metros cúbicos de madeira por ano. O carvalho francês, sempre com mais de cem anos, 50 metros de altura e com um preço a rondar os 2.000 euros a unidade, é a árvore mais requisitada. "Um carvalho francês pode dar para produzir até dez barricas. Mas tudo depende da qualidade da madeira", explica Nuno Cadete, diretor comercial do grupo francês. O também responsável das marcas para o mercado ibérico revela que, só para Portugal, são vendidas 1800 barricas por ano, o que significa uma faturação a rondar os 1,5 milhões de euros. É que cada barrica de 225 litros custa cerca de 700 euros.

Para proteger este negócio, o Governo francês delega nos guardas-florestais a gestão das matas. São estes que, anualmente, identificam as árvores a abater e que, posteriormente, são compradas, num leilão público, por empresas que têm na madeira a sua principal matéria-prima. E, garantiu Cyrill Gillet a uma comitiva de jornalistas portugueses que visitou Bertranges, nunca a mesma parcela de terreno é alvo de mais do que um abate num período de dez anos. "E, numa parcela em que se procede ao abate, deixa-se sempre algumas árvores para assegurar a reflorestação", frisa. Reflorestação que também é alcançada com plantações a partir de viveiros geridos pela ONF e com cortes parciais de arvoredo para "permitir a entrada de luz, fundamental para o crescimento das árvores".