Entrevista

Filipe Almeida: "Há um potencial criativo, no país, em todas as gerações"

Filipe Almeida: "Há um potencial criativo, no país, em todas as gerações"

Entrevista a Filipe Almeida, presidente do Portugal Inovação Social.

Pela primeira vez, os fundos europeus reservaram parte do dinheiro para financiar a inovação na área social. O Portugal Inovação Social recebeu 150 milhões de euros e um mandato para desenvolver uma cultura de investimento em projetos sociais e de parcerias entre organizações solidárias, empresas e o Estado.

O que o levou a criar um concurso de ideias ligado aos incêndios e dinamização da economia local?

O concurso é uma primeira fase, lançada com a IES - Social Business School, que lhes lhes dará apoio para desenvolverem os projetos. Poderão vir a ser financiados pelo Portugal Inovação Social, até em concursos abertos para as regiões afetadas pelos incêndios. As ideias foram apresentadas na Cerdeira, tiveram visibilidade. E nós acompanharemos as que quiserem ser desenvolvidas.

As seis ideias vencedoras têm potencial para ser transformadoras?

Sim, fiquei surpreendido com a qualidade e criatividade. Têm potencial para ajudar a reconstruir os territórios e prevenir incêndios. São ideias muito diferentes, que se complementam.

Os protagonistas são organizações da economia social. Tem sido fácil encontrar quem se ajuste a este tipo de financiamento?

Tem sido fácil encontrar projetos inovadores, em organizações novas e antigas. Procuramos promover a inovação e empreendedorismo social, mas também provocar o encontro entre os financiadores públicos e privados e as organizações sociais. Estamos a criar as bases de um mercado de investimento em inovação social. Nas empresas, estamos a evoluir da filantropia clássica (de donativo a projetos nem alinhados com a sua estratégia nem acompanhados de perto) para a filantropia estratégica, preocupada com o impacto social e ambiental.

O setor social tem muitas necessidades, muito diferentes. O programa terá um impacto estrutural?

O programa dirige-se a projetos que têm de ser capazes de ter um impacto na vida das pessoas. Este setor convoca a criatividade para responder a problemas sociais complexos. Com pouco dinheiro consegue-se transformar radicalmente a vida das pessoas. Queremos experimentar novas ideias, abordagens alternativas, que possam ser escaladas e até integrar a política pública.

Quantos projetos já foram financiados?

Abrimos sete concursos e recebemos 366 candidaturas, que solicitaram 52 milhões de euros, quando só tínhamos disponibilizado 35 milhões. Já foram aprovadas 144 candidaturas, no valor de 12 milhões de euros, metade dos quais no Norte.

Os portugueses são bons empreendedores sociais?

Sem dúvida. Há um potencial criativo, no país, em todas as gerações. Estão a nascer projetos muito criativos, alguns que já inspiram outros países. Pode criar uma onda positiva para instalar o empreendedorismo social como uma possibilidade de vida para quem procura a solidariedade, a criatividade e o serviço aos outros como projeto de vida.

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