Sociedade Civil

Levam música às Caxinas a preços "pequeninos"

Levam música às Caxinas a preços "pequeninos"

Começaram "a medo" em 2015. Agora, são já 84 alunos, dos 6 aos 78 anos. Nas Caxinas, Vila do Conde, as escolas de Sopros e de Cordas têm quase três dezenas. Seja a tocar flauta transversal, saxofone, violino ou a cantar, a ideia é sempre a mesma: distribuir cultura a preços "pequeninos" e levá-la aos que menos têm.

O Profilar é a mais recente aposta do Conservatório de Música de Vila do Conde e não para de crescer.

O projeto arrancou em outubro de 2015 com o Coro. Em janeiro de 2017 - e porque o objetivo sempre foi "democratizar o acesso ao ensino da música" -, rumou às Caxinas e abriu a Escola de Sopros, ali, no seio da maior comunidade piscatória do país, onde a escolaridade dos mais velhos é muito baixa e a cultura pouco frequente. Onze meses depois, vieram as Cordas.

"Esta é uma zona que, embora muito populosa, tem uma carência cultural grande e pouca oferta formativa na área da música", explica Nuno Oliveira, que, com Aires Pinheiro, partilha a direção pedagógica do Conservatório.

O espaço, a funcionar num centro de estudos em frente à escola primária das Caxinas, quer reunir as pessoas através da música e mostrar que o bairro pode ser mais do que pesca e futebol. E surgem talentos? "Ai se surgem!", diz António Costa, que dá aulas na Escola de Sopros desde o início. Rapidamente lembra um punhado de alunos que, dadas as aptidões, já passou para o Conservatório. Os concertos comprovam que dali sai "música a sério". E, depois, há um lado social que não tem preço: abrem-se horizontes aos mais novos, afastam-se os jovens "da rua" e os reformados encontram novo alento. E o melhor é que o fazem "todos juntos".

E porque "democratizar" é a palavra de ordem, os preços são "simbólicos": 15 euros por mês para três aulas semanais e instrumentos disponibilizados gratuitamente.

O coro dos adultos tem, agora, um novo parceiro: o Coro Infantil de Vila do Conde, que arrancou o mês passado. Os dois foram integrados na recém-criada Escola de Canto, que, a partir de janeiro, arranca com aulas de técnica vocal. No caso dos coros, adultos e crianças pagam cinco euros por mês.

A Junta de Freguesia de Vila do Conde tem sido, frisam os dois diretores, "aliado precioso", quer no apoio financeiro, quer na cedência de espaços de ensaio. E a ideia é continuar a crescer. O Coro Juvenil, a curto prazo, e a Orquestra Filarmónica, a médio, são projetos em carteira. O Conservatório de Música de Vila do Conde está integrado na Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde e tem atualmente 300 alunos