Madrid aperta cerco ao alojamento local

Madrid aperta cerco ao alojamento local

Estabelecer limites e fazer cumprir as regras parece ser agora o caminho escolhido pela Autarquia madrilena.

Em Espanha, o negócio de alojamento local atravessa dias de incerteza, principalmente na capital, Madrid. Com o turismo em alta, o número de quartos cresceu desenfreadamente, à semelhança do que tem acontecido em muitas cidades europeias, como Lisboa e Porto. Mas, a Câmara de Madrid decidiu apertar a legislação. Só na semana passada, 147 apartamentos de alojamento local receberam ordem para fechar portas. Estabelecimentos que ficam, sobretudo, nas zonas mais centrais da capital, como Salamanca, Moncloa e Chamberí. E mais de 300 unidades estão sob investigação. A decisão foi apresentada em Conselho de Ministros, quando, na semana passada, se soube que a Câmara aumentou o número de pessoas envolvidas nas ações de fiscalização.

Estabelecer limites e fazer cumprir as regras parece ser agora o caminho escolhido pela Autarquia madrilena, que garante estar atenta às falhas de segurança e a outros problemas que os apartamentos possam apresentar. Em declarações ao "El País", José Manuel Calvo, delegado do Desenvolvimento Urbano Sustentável, deixou um alerta: "É importante detetar os alojamentos turísticos não legalizados". Mais uma vez, fiscalização é a palavra de ordem. "Para que se cumpram todos os requisitos necessários de atividade e se evitem fraudes", acrescentou.

Para a autarca, há ainda outro fator que é preciso contrariar: a subida dos preços dos quartos. Contra esse aumento, que afeta também os moradores da capital, a Câmara decidiu apostar na "criação de tetos", que Manuela Carmena considera ser "a única solução efetiva a curto prazo" para pôr fim à escalada dos preços.

Só em Madrid, são cerca de oito mil as unidades de alojamento local em funcionamento. E, a reboque disso, os preços de arrendamento tiveram um aumento de mais de sete por cento. O mesmo acontece em Portugal. Com o "boom" do alojamento local, centenas de moradores do Porto e de Lisboa viram os preços das rendas aumentar significativamente. E, a seguir, receberam ordem de despejo. Por isso, as duas cidades são, muitas vezes, palco de protestos em que moradores e movimentos de apoio unem vozes e exigem respostas.

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