Metade dos condutores não pode fugir às portagens

Metade dos condutores não pode fugir às portagens

Quase metade dos automobilistas que circulam nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa (um universo de 4,5 milhões de pessoas) são obrigados a pagar portagens. A norte, são os moradores da Póvoa de Varzim os mais castigados. A "culpa" é da A28. A sul, são os habitantes de Cascais que mais verbas despendem com portagens.

Em média, e olhando para estas duas realidades territoriais, um em cada dez habitantes com carro gasta mais de 30 euros por mês em portagens.

O Inquérito à Mobilidade nas Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa (IMob), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em parceria com a Área Metropolitana do Porto (AMP) e a Área Metropolitana de Lisboa (AML), vem provar que em Portugal quem manda é o automóvel.

E nem mesmo os elevados gastos com estacionamento e combustível, somados às longas filas de trânsito que os condutores enfrentam todos os dias, os demovem a mudar as rotinas diárias. Por norma, é nos trajetos para o trabalho e para os locais de estudo que estes condutores se veem forçados a utilizar estradas com portagens.

Nos 17 concelhos da AMP, 41,5% dos residentes com veículos diz ter despesas habituais com portagens. E é no município da Póvoa de Varzim que se encontra a maior percentagem: 66,3% dos moradores. Confrontado com estes números, Aires Pereira, presidente da Câmara, lembrou que "o município da Póvoa fica no extremo norte da AMP" e que os grandes fluxos de mobilidade se verificam "entre a Póvoa e o centro do Porto, nomeadamente, a zona da Trindade". Sendo que os condutores usam, maioritariamente, a A28 como via de acesso à zona central da Invicta.

Para o autarca, as soluções para o problema estão à vista. "Mais do que resolver as questões de mobilidade no centro das áreas metropolitanas, é preciso solucioná-las na periferia", referiu Aires Pereira, apontando como uma "boa solução" a entrada em vigor do passe único, "cujo valor não deverá ultrapassar os 40 euros". A medida, acredita o presidente, "vai traduzir-se numa poupança para as famílias e num incentivo importante para a utilização do transporte público". Uma poupança que será, também, conseguida pelas famílias residentes nos concelhos da Grande Lisboa, onde se espera, igualmente, pela entrada em vigor do passe único.

Aires Pereira nota, ainda, que "é necessário que o transporte público seja transformado num meio de mais fácil acesso". Algo que se consegue, por exemplo, criando "mais e melhor estacionamento junto às estações de metro" e, claro, com um maior investimento na rede de transportes.

Mais a sul, o número de pessoas que pagam portagens é ligeiramente superior: 42,2% dos habitantes da Área Metropolitana de Lisboa têm essa despesa. E, destes, mais de 12% apresentam custos mensais iguais ou superiores a 30 euros.

Dos 18 municípios que integram o território metropolitano do distrito, são os residentes de Cascais que têm mais custos com as portagens: 61,3%.

A falta de condições na rede de transportes continua a ser criticada pelos automobilistas, que reclamam melhorias. Principalmente nas zonas onde, diariamente, perdem mais tempo no trânsito. Segundo o IMob, é nos concelhos de Gaia e de Lisboa que o cenário dá maiores dores de cabeça, tanto aos dias úteis, como aos fins de semana e aos feriados.

De norte a sul do país, muito se tem discutido o investimento na rede pública de transportes. E, em Cascais, tal como na Póvoa, a autarquia tem vindo a investir numa política de incentivo à utilização do transporte coletivo. Exemplo disso é o sistema de mobilidade "Mobi Cascais", que reúne numa única plataforma toda a oferta de transporte no concelho: desde o comboio ao autocarro, passando pelo estacionamento, pelas bicicletas e até "car-sharing".

Uma estratégia que visa, conforme adiantou a autarquia ao JN, "criar condições para a utilização do transporte público por parte dos cidadãos". Para isso, está prevista, ainda, a criação de uma faixa BUS na A5, entre Cascais e Lisboa. E, ainda, uma aposta no transporte público interno

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