SOS Floresta

Observatório JN: Por uma floresta rentável

Observatório JN: Por uma floresta rentável

Vamos imaginar que o problema da demografia e do envelhecimento da população não era um problema exclusivo do interior do País (será mais grave nesses dois terços do território), mas que se trata de um problema nacional, e por isso a necessitar de políticas de âmbito nacional.

Vamos olhar para o interior pelos olhos de um urbano - que, não sendo os meus, vejo o mesmo que ele. O que gostaria mesmo era que esses dois terços do território não se traduzissem num encargo para o outro terço, independentemente do número e da idade de quem lá vive, mas que se tratasse de um território produtivo e organizado.

Se pensar assim não for pecado, podemos fechar os olhos e pensar como conseguiremos reduzir substancialmente as áreas de matos, incultos e floresta, aumentando a superfície agrícola produtiva e trabalhada, e identificando nesses dois terços de território aquele terço que nunca será produtivo, assumindo-o como floresta de proteção.

Perguntarão, os poucos que ainda têm paciência para ler estes artigos, então que floresta queremos? Que agricultura vamos fazer nos espaços que deveremos devolver à agricultura? E quem paga a floresta de proteção, sem rendimento para os proprietários mas que todos entendemos imprescindível para a sociedade?

Vamos por partes:

A floresta- será aquela que for rentável para o proprietário, a não ser que o Estado queira outra, e para isso terá de a pagar. Ninguém põe o seu dinheiro num negócio para colher daqui a meio século, ou ainda alguém acredita nisso? Mas temos sempre as áreas públicas que, bem cuidadas, poderão vir a ser milhares de hectares de floresta pública.

A agricultura- conscientes da microestrutura da propriedade e das dificuldades que isso transporta, teremos de estudar os exemplos de agricultura produtiva e rentável por esse país e mundo fora, em solos e parcelas da mesma dimensão, e elas existem. Hoje, na Europa incluindo Portugal, 60% do rendimento dos agricultores provém de ajudas e não do rendimento efetivo da produção, logo, grande parte da agricultura que temos existe em função das políticas públicas que as entendem prioritárias, ou seja, basta redefinir as prioridades da nossa política agrícola.

A Floresta de proteção- que não é mais do que as áreas improdutivas, pela inclinação, pelo valor do património ambiental que as ocupa, pela falta de solo arável, etc. Não restará ao Estado outra opção senão pagar aos proprietários para manterem e gerirem esse património em nome das externalidades positivas que essa ocupação devolve à sociedade.

Concluirá o urbano, afinal o Estado tem de pagar quase tudo.

Não muito mais do que já paga hoje, terá é que provavelmente pagar um pouco menos a uns e passar a pagar a outros que, até agora, pouco ou nada têm recebido.

Descansando o urbano, diria, em forma de conclusão, que esta receita é necessária para pouco menos de um terço dos dois terços do território do interior, ou seja, muito está feito, muito falta fazer, mas não tanto quanto aqueles que querem que nada de diferente se faça dizem faltar fazer.

E quem sabe se estes territórios, organizados e geridos numa perspetiva económica, não necessitarão de mais mão-de-obra, e mais mão-de-obra é mais emprego, mais emprego são mais pessoas e mais pessoas...

*Coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior

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