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Ocupações em Veneza contra excesso de turistas

Ocupações em Veneza contra excesso de turistas

Em Veneza, há famílias a ocupar edifícios desabitados, depois de os recuperarem, em protesto contra a subida das rendas que tem feito encolher a população local nos últimos anos. A cidade debate-se com o excesso de visitantes, que já levou à aprovação de uma taxa de entrada, que pode chegar aos 10 euros por pessoa.

A pressão turística de uma cidade que recebe atualmente cerca de 25 milhões de turistas por ano está a deixar os habitantes de Veneza em polvorosa. Tudo porque, como acontece em muitas outras urbes mundiais, os preços das rendas dispararam e a população reduziu drasticamente. Há famílias a ocupar edifícios desocupados em protesto contra a situação atual.

A ideia é dinamizada pela associação "Assemblea Sociale per la Casa" (ASC), fundada por Nicola Ussardi, um veneziano de 41 anos, que, desde 2013, ocupa um apartamento num bairro da cidade, com a companheira e dois filhos.

O ativista, que tem ajudado muita gente a encontrar alternativa de habitação, reconhece que as ocupações são ilegais, mas ressalva: "Nós não roubamos a casa de ninguém, escolhemos apartamentos que foram abandonados por anos e estão cheios de mofo e ratos".

Para ajudar os que perdem a casa por não aguentarem a subida da renda, os ativistas da ASC recuperam espaços abandonados e em ruínas para posterior ocupação. Em seis anos, já conseguiram adaptar mais de 70 apartamentos, onde vivem atualmente cerca de 150 pessoas, incluindo famílias, solteiros e casais jovens.

Davide de Polo, um assistente de palco de 38 anos que trabalha na indústria cinematográfica, citado pelo jornal britânico "The Guardian", é muito direto na explicação sobre o fenómeno das ocupações: "Nós somos a alternativa à morte de Veneza".

A razão destes movimentos ocupacionistas é traduzida numa análise dos números. As estatísticas oficiais dizem que a cidade perde 1000 habitantes por dia. No pós-guerra a população era de 170 mil habitantes, hoje estima-se que não chegue aos 50 mil.

Os residentes culpam a massificação do turismo nesta que é uma das mais visitadas cidades do Mundo. Muitos queixam-se de que a maioria dos visitantes passa apenas um dia na cidade, leva a própria comida e não consome nos bares, cafés e restaurantes locais.

Para tentar controlar este fenómeno, as autoridades adotaram este ano uma taxa para visitar o Centro Histórico, que pode chegar aos 10 euros por dia.