Companhia Ilimitada

Os trajes tradicionais (e não só) de Viana em 3D

Os trajes tradicionais (e não só) de Viana em 3D

Em Viana do Castelo, dois ex-estudantes de Arquitetura lançaram a marca Diverte e apresentaram-se com o novo conceito de "artesanato tecnológico"

A ideia inicial da empresa era fazer "esculturas" de alunos, reinventando aquele tradicional conceito do fotógrafo que vai de escola em escola a fazer retratos. Mas caiu por terra quando os mentores, dois antigos estudantes de Arquitetura da Escola Superior Artística do Porto (ESAP), constataram que era "muito difícil entrar" no meio escolar. Abandonaram o projeto e avançaram para um novo desafio: imprimir em 3D os trajes tradicionais de Viana do Castelo. A segunda tentativa de negócio foi uma aposta certeira e assim nasceu, há três anos, a marca Diverte e o seu projeto "Imprimimos Tradições". Desde aí os empresários Pedro Ribeiro e um então outro sócio, hoje substituído por Rafael Nascimento, nunca mais pararam de criar peças modeladas digitalmente e materializadas através de impressão 3D.

Com as suas estatuetas coloridas de lavradeiras, mordomas e noivas, em tamanho para pins, alfinetes, ímanes e colares, ou peças maiores que reproduzem fielmente os cinco trajes que mais se distinguem, apresentaram-se com um conceito inovador.

"Acabámos por, em março de 2016, na altura ainda sem grandes expectativas em relação àquilo que ia sair, criar o que nos tornou mais conhecidos, que foi o trabalho dos trajes. O projeto ganhou alguma preponderância na empresa. Foi bom em termos de posicionamento, porque demonstrámos coisas diferentes na impressão 3D, daquelas que se estavam a fazer até ali. Em Portugal, foi completamente revolucionário e mesmo no exterior foi muito bem aceite", contou Pedro Ribeiro, referindo que "publicações e sites internacionais falaram de nós, porque era algo que não existia. Nós costumamos dizer que, embora não tenhamos inventado, batizámos um novo conceito, que é o artesanato tecnológico".

Hoje em dia, é possível encomendar à Diverte peças de cinco trajes: mordoma, domingar, festa, noiva e noivo e trabalho. Mas o conceito desenvolveu-se entretanto para outras áreas, muito para além do património tradicional. A partir de imagens nascem todo o tipo de objetos: as mesmas figuras dos trajes, mas com o rosto do cliente, estatuetas de santos (na loja têm uma de Nossa Senhora d´"Agonia), de pais com os filhos ou da família inteira, peças originais para jogos didáticos e de entretenimento, protótipos para a indústria dentária, bustos em tamanho real, troféus, instalações artísticas e tudo o que a imaginação ditar. A escultura digital ganhou terreno na sua componente artística, mas também nas engenharias e indústria