Centro Urbano

Passadiços e ciclovias são refúgios às portas de Aveiro e Ílhavo

Passadiços e ciclovias são refúgios às portas de Aveiro e Ílhavo

Ciclistas, corredores ou caminhantes: todos os que gostam de fazer algum exercício físico junto da natureza utilizam os trajetos perto da malha urbana, como escape para o dia a dia nas cidades. E a primavera leva ainda mais gente a esses percursos, que foram construídos ao longo da ria de Aveiro.

São dez minutos. Dez minutos, apenas, separam o cheiro incómodo dos canos de escape e o barulho ensurdecedor dos carros a rolar sobre rodas da calma da natureza e da tranquilidade das águas da ria. Aveiro e Ílhavo, cidades vizinhas, têm passadiços e ciclovias, construídos nos últimos anos, que se tornaram um refúgio para muitos dos que vivem nos centros urbanos. Estão mesmo ali, à porta das cidades. No território aveirense, os passadiços do Cais da Ribeira de Esgueira. Do lado ilhavense, um extenso percurso ciclável, que liga as praias da Barra, da Costa Nova e da Vagueira, essa última já no concelho de Vagos. Ambos os trajetos integram a Rede de Ciclovias da Região de Aveiro. E, apesar de serem utilizados durante todo o ano, ganham uma nova vida nesta altura, na primavera, quando o calor volta a aconchegar a alma e o corpo.

Carlos Bola vive em plena zona urbana, nas Barrocas, e ao fim de semana tem como refúgio os passadiços do Cais da Ribeira de Esgueira, que seguem lado a lado com a ria de Aveiro por Mataduços, Póvoa do Paço e Vilarinho. "Saio de casa de bicicleta e estou aqui num instante. Venho pela calma que transmite e para fazer exercício. Precisamos disto e de mais assim. Para a nossa cidade é excelente. Só espero que os consigam manter em bom estado", opina Carlos, num dia em que foi dar apenas uma breve caminhada com familiares espanhóis, para lhes mostrar aquilo que considera ser um dos "ex-líbris" da cidade.

Também Maria de Fátima Santos, a residir na Vagueira, utiliza um dos percursos pedonais e cicláveis - no seu caso, o que faz a ligação da praia onde vive à da Costa Nova -, para desanuviar e "fazer algum exercício". "Não tenho carro. Se não fosse haver estes percursos, quem não tem carro só podia andar a pé nas zonas urbanas. E para quem gosta de fazer caminhadas, como eu, junto à natureza é muito mais agradável", conta Maria de Fátima, ao lado da filha, Jéssica Oliveira, que a acompanhou na caminhada de oito quilómetros. "Almoçámos, comemos uma tripa [doce típico da região] e agora vamos voltar para trás, para queimar calorias", brinca Jéssica.

Aveiro já deixou de ser procurado apenas pelos moliceiros e pelos ovos-moles. Que o diga Paulo Santos, de Lisboa. Está a passar férias em Oliveira de Frades, distrito de Viseu, e deslocou-se à cidade da ria especialmente para conhecer os passadiços da Ribeira de Esgueira, com a família. Caminharam cinco quilómetros. "Percorremos o país a conhecer estes locais, porque já em Lisboa os usamos como escape. Perto de casa, o nosso refúgio é a serra de Sintra", diz, já a caminho do carro, uma vez que o filho Rafael, no carrinho de bebé, deu sinais de fome. Mas vai embora com um desejo: "Quero voltar para fazer tudo".

A rede de ciclovias tem sido construída pelo Polis Ria de Aveiro, Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro e câmaras. E tanto tem percursos junto à malha urbana, como outros mais recônditos. O passadiço do Cais da Ribeira de Esgueira, por exemplo, começa junto à cidade e tem cerca de oito quilómetros. Mas, quem quiser, pode continuar até Estarreja, pelo interior da natureza. É de lá que vêm os jovens Ricardo Timóteo, João Barroqueiro e Mariana Barroqueiro. "Fizemos 30 quilómetros, desde Pardilhó. Estes percursos são giros para passear, apesar de algumas ligações ainda não estarem bem assinaladas", conta Ricardo. Para fugir da cidade, afinal, basta querer. E ter força nas pernas, para pedalar, correr ou caminhar.