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Passeios estreitos que não cresceram com as cidades

Passeios estreitos que não cresceram com as cidades

Passeios estreitos continuam a ser uma realidade perigosa nas nossas cidades. Pedonalização atenua mas não acaba com o problema.

São filhos de um passado em que serviam apenas para resolver problemas de conflitualidade entre os carros dentro das cidades (que tinham prioridade) e os peões. Hoje, são enteados, esquecidos em obras de restruturação. Os passeios estreitos continuam a ser um grande problema. Passamos quase todos os dias neles mas só reparamos (e nos indignamos) quando deparamos com uma pessoa com deficiência, um idoso ou uma mãe com um carrinho de bebé a serem obrigados a descer à via com automóveis para prosseguirem viagem. Ou uma queda feia, por vezes fatal.

Não há estatísticas que assinalem estes casos, apenas se sabe que há pessoas que morrem quando circulam em passeios estreitos, ora porque tropeçam e caem na estrada, ora por serem apanhadas desprevenidas nas caminhadas. Mário Alves, da Associação de Cidadãos Automobilizados, refere que, nas cidades, os problemas de sinistralidade são sempre maiores e chama a atenção para outras questões, como "o estacionamento em cima deles, assim como as ciclovias desenhadas nos passeios, deixando ao peão uma tira estreita para caminhar". Aquele responsável aponta para uma publicação recente da Organização Mundial de Saúde, assim como para o relatório da OCDE, que indicam "o estacionamento ilegal como uma das principais causas de perigo para peões em zonas urbanas". Mas, prossegue, "não têm em conta incidentes como queda de peões nos passeios. Sabe-se que 75% das hospitalizações de peões são consequência deste tipo de ocorrências e muitas delas em idosos podem resultar em morte ao fim de meses".