Transportes

Passes mais baratos aliviam carteiras de Tomás e Inês

Passes mais baratos aliviam carteiras de Tomás e Inês

A redução das tarifas nos passes sociais aplicada nas Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa começa esta segunda-feira. Conheça os casos de Tomás e Inês, dois utentes de transportes públicos que vão passar a poupar vários euros ao fim do mês.

Habitantes: 2 milhões
Utentes: 154 mil
Municípios aderentes: 17
Financiamento: 15 milhões

Tomás exulta com alívio na fatura mensal

"É um bom desconto. Vai ajudar muito!", atira Tomás Garrido, enquanto se prepara para entrar no metro, na estação de Vila do Conde. Cumpre o ritual diário: metro até à Casa da Música, autocarro até à Faculdade de Ciências, no Campo Alegre (Porto). O jovem tem 19 anos, beneficiário de escalão A de apoios socais, e frequenta o 2.º ano de Química. O passe (Z7) custa-lhe 31,35 euros. Agora, vai passar a pagar 16 e com um "bónus": já não vai precisar de pagar o bilhete de autocarro à parte quando quiser ir ver o avô a Matosinhos. O passe será válido para todas as zonas dos 17 concelhos da Área Metropolitana do Porto (AMP).

Para quem é estudante e já tem "despesas que cheguem", a ajuda do novo passe é "muito bem-vinda". Tomás explica outros casos: tem colegas sem escalão que pagavam, até agora, 58,75 euros de passe (Z7 sub-23). "Mais refeições, mais livros, mais fotocópias...". No fim do mês, frisa, a fatura "pesa e muito" no orçamento familiar.

Ainda assim, "ir de carro não é opção". Pelo menos para quem estuda numa das zonas mais movimentadas da cidade: "Já fui algumas vezes, mas não compensa. É muito trânsito, temos de sair muito cedo e para estacionar é um filme", frisa . Entre metro e autocarro, leva uma hora certinha a chegar à faculdade. De carro, "sempre mais do que isso".

Agora, esses colegas passam a pagar 30 euros para toda a rede. "Quase metade do preço!", exulta.

Por resolver fica apenas o outro lado do problema: Tomás mora na freguesia da Junqueira, a seis quilómetros da estação. Essa parte do percurso é feita todos os dias de carro. Para apanhar o autocarro, "tinha de vir muito cedo" - já que há poucos autocarros e com horários à medida do transporte escolar para as EB 2,3 e secundárias -, a viagem demora "tempos e vidas" - a mesma carreira serve várias freguesias - e o passe teria de ser pago à parte.

Novo concurso em abril

É que, sim, na teoria o passe único serviria todas as zonas dos 17 municípios da AMP, mas, na prática, obrigados a suportar os custos dos validadores e à beira do fim da concessão, nem todos os operadores rodoviários privados aderiram. A boa notícia é que, em abril, será lançado o novo concurso para a concessão do transporte rodoviário da AMP. Póvoa e Vila do Conde fizeram a sua rede. Quem ganhar será obrigado a aderir ao Andante.

Que novos passes estão disponíveis?

É criado o Passe Andante Metropolitano (40 euros) para toda a Área Metropolitana do Porto (AMP) e o Passe Municipal (30 euros) para viagens dentro do concelho ou até três zonas contíguas.

Onde se podem carregar os títulos?

Os títulos podem ser adquiridos e carregados como habitualmente nas lojas Andante, pontos de venda Andante e bilheteiras CP.

Todos os operadores são abrangidos?

Alguns operadores privados (Auto Viação Feirense e Grupo Transdev) não integram o sistema dos novos passes, por falta de validadores, mas vão praticar os mesmos preços. A desvantagem é que, para já, os utentes não podem usar esses títulos no metro e autocarros de outras transportadoras.

Quando avança o passe família?

A AMP não se compromete com a entrada em vigor do passe família, que prevê que num agregado familiar se pague no máximo dois títulos de transporte no valor máximo de 80 euros.

Habitantes: 3 milhões
Utentes: 464 mil
Municípios aderentes: 18
Financiamento: 73 milhões

Inês vai poupar 125 euros para "gozar a vida"

Inês Dias, 30 anos, utiliza os transportes públicos entre Setúbal e Lisboa desde 2006 e o preço do passe de autocarro sempre lhe levou uma grande fatia do rendimento. Numa primeira fase, coincidindo com o período em que estava na faculdade e, desde 2013, quando começou a trabalhar. Agora, com a poupança que lhe é garantida pelo passe social, e que ronda os 125 euros mensais, vai poder "gozar a vida".

Inês pagava 165 euros para o passe combinado entre TST e metro e agora vai pagar 40 euros. "O sacrifício que a população de Setúbal tinha de fazer para ir para Lisboa onde há trabalho bem remunerado acabou e com certeza que as famílias vão ter mais poder de compra para gastar no comércio local, um dos grandes beneficiários da medida". No caso da gestora de produto numa empresa em Lisboa, vai conseguir aproveitar mais o que Setúbal tem para oferecer em termos culturais e lazer e espera que, tal como ela, muitos mais se juntem na dinamização da cidade.

"Se os passes permitem que alguém de Mafra possa vir até Setúbal em qualquer transporte público, a cidade vai ganhar de certeza com o aumento de turistas, imagino na maioria jovens da margem norte do Tejo atraídos pela beleza natural desta cidade".

A setubalense soube da notícia da redução dos preços do passe em dezembro e, num primeiro momento, não quis acreditar. "Afinal, é um grande desconto e pensei que fosse demasiado bom para ser real". Inês fez as contas sobre quanto gastou no espaço de 13 anos em passes e assustou-se. "É demasiado dinheiro para deslocações".

A setubalense aguarda com expectativa a manutenção do preço reduzido ao longo dos anos, mas teme que a frota da TST não tenha capacidade para o previsível aumento de utentes a usar o transporte público. "Apanho o autocarro logo às sete horas e vai cheio, com muitas pessoas a ficar em terra e agora devo ter de ir mais cedo porque não acredito que a TST vá aumentar o número de autocarros". Aliás, "está já programada uma greve para abril", diz Inês. Por outro lado, com a possibilidade de utilizar outros meios de transporte que ligam as duas margens do Tejo, Inês vai deixar de ficar dependente dos horários do autocarro. "Posso ficar até mais tarde em Lisboa e regressar na Fertagus, por exemplo".

Que novos passes estão disponíveis?

Será criado o Navegante Municipal (30 euros), que permite andar em todos os transportes públicos de um município, dentro do seu limite geográfico e o Navegante Metropolitano (40 euros) para todos os transportes públicos em toda da Área Metropolitana de Lisboa e em todos os operadores.

Onde se podem carregar os títulos?

A compra e o carregamento podem ser feitos nos locais habituais. Os títulos são carregados no cartão Lisboa Viva.

Que ligações se tornam possíveis?

Com o passe Metropolitano, os utentes podem viajar entre Mafra e Setúbal (80 quilómetros). É a maior distância entre os 18 municípios aderentes.

Quando avança o passe família?

Ao contrário da Área Metropolitana do Porto, para a zona de Lisboa, os passes família (máximo 80 euros por agregado) estarão disponíveis já em julho.

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