Portugal já tem um "mayor" para as bicicletas

Portugal já tem um "mayor" para as bicicletas

Ana Pereira, 38 anos, é desde fevereiro a "mayor" de Lisboa. Movimento criado na Holanda para troca de experiências e incentivo à mobilidade ativa chegou a Portugal e quer ver mais mil milhões de pessoas a pedalar em cidades de todo o Mundo.

Nasceu na Holanda, mas rapidamente se espalhou por várias cidades mundiais. E já chegou a Portugal. O "Bicycle Mayor & Leader Program" é uma iniciativa global que quer acelerar o progresso da mobilidade em duas rodas em ambiente urbano. Segundo a BYCS - associação sediada em Amesterdão, que iniciou e coordena o programa - o objetivo é chegar a mais mil milhões de utilizadores regulares de bicicleta nas cidades.

À medida que as preocupações ambientais crescem e a utilização de bicicletas e outros meios de mobilidade ativa se generaliza, as cidades unem-se para trocar experiências e lançar projetos. E foi assim que o projeto chegou a Portugal, onde Lisboa se tornou, há poucas semanas, na primeira cidade do país a ter uma "Bicycle Mayor". A tradução não pode ser literal, porque, na prática não se trata de um "autarca" [mayor], mas de um interlocutor entre diversas entidades.

Ana Pereira, 38 anos, é desde fevereiro a "mayor" de Lisboa. Ligada ao mundo das duas rodas também profissionalmente, este cargo vem ao encontro de outra associação portuguesa em que já estava envolvida: a Casa da Bicicultura. "Em ambos os casos, trata-se de pôr as pessoas a conversar, a dar ideias e a promover e a atacar alguns problemas que não dependem tanto das políticas públicas", explica ao JN Urbano.

Num país onde o número de utilizadores de bicicletas está ainda longe da média europeia, Ana Pereira elege a "falta de cultura de uso" e a "falta de fluência" no meio como obstáculos a uma maior aposta neste transporte. "As pessoas não têm referências, não sabem como se faz. Há uma falta de orientação em termos de mercado, apesar de hoje ser relativamente fácil experimentar uma bicicleta elétrica", refere, salientando, porém, que, "qualquer coisa fora do padrão, como veículos adaptados, ou para transporte de crianças", já tem um acesso "mais difícil".

"As lojas existentes não têm capacidade para ter uma frota de artigos para as pessoas experimentarem. E, apesar da Internet, é muito difícil dar 3, 4 ou 5 mil euros por algo que nunca se viu ao vivo", observa a "mayor" lisboeta.

E é para dar respostas a estes casos que uma das ambições da Casa da Bicicultura é ter uma "veloteca" - "uma espécie de biblioteca com documentação específica sobre bicicletas" e uma frota partilhada para que, explica, "as pessoas possam pontualmente, quando for preciso, alugar ou experimentar o veículo e terem a certeza de que é aquilo mesmo que querem".

O cargo de "mayor" está longe de ser executivo, mas, como explica Ana Pereira, visa "dar um rosto a cada cidade" e criar um perfil que sensibilize as diversas entidades e permita reforçar contactos. Em Portugal, para já, o projeto não tem outros "mayors" em perspetiva, mas Ana destaca o Porto. "Há lá ativistas e a cidade precisa de outro foco na questão das bicicletas", defende.

A cidade de Amesterdão, considerada a "capital europeia das bicicletas", tem a mais jovem "mayor" do Mundo: Lotta Crok, de nove anos. A jovem diz que é "preciso haver mais gente a andar de bicicleta" e o seu objetivo é "chamar a atenção para os obstáculos que as crianças enfrentam" diariamente num veículo de duas rodas.

Lotta assumiu o "cargo" em junho de 2018 e um dos seus objetivos anunciados foi ver equipadas as bicicletas partilhadas com dispositivos para crianças