Música

Requiem checo pela floresta portuguesa

Requiem checo pela floresta portuguesa

Os olhos também se arrepiam e os de Martina Videnová nem queriam acreditar quando, há uns anos, num passeio pelas estradas portuguesas, testemunharam uma dezena de fogos em duas horas de caminho.

"Fiquei chocada", diz ao JN. Sentiu que "tinha de ajudar de alguma forma". Primeiro pensou levar uma exposição de fotografia documental a Praga, mas depois chegou 2017 e com ele "a maior crise ecológica da História" de Portugal: um sexto da floresta do país em cinzas e mais de uma centena de mortos, prostrados, na memória coletiva nacional. À ideia original impunha-se outra gravidade. Foi quando a compositora checa, que se apaixonou por Portugal por causa da "musicalidade" da língua, pensou compor um "requiem à floresta portuguesa". Um requiem é uma missa aos mortos, uma composição musical habitualmente tocada em funerais. Tomás Valle, o portuense que está ajudar à produção, descreve-nos o requiem como uma homenagem, mas também como uma "pequena provocação", uma chamada de atenção para um problema por resolver. Aceitou ajudar Martina por admiração e algum "embaraço", ao ver "alguém de fora a fazer isto, enquanto nós continuamos a olhar para o lado".

Para ser concretizado, o projeto "Home is the Place Where Fire Burns" está à procura de financiamento na plataforma "gogetfunding.com". A ideia é gravar a composição num disco e apresentá-lo em concerto, numa "sala" simbólica: o cenário de uma floresta recentemente ardida. Inclui ainda uma exposição fotográfica e um vídeo a preto e branco do concerto. Envolve mais de 60 pessoas, entre as quais músicos da Orquestra e do Coro da Casa da Música.

Se alcançar o objetivo - cerca de 6 mil euros - o disco será gravado no Porto no próximo mês. Ao JN, Martina Videnová conta que o requiem está fechado, tem cerca de nove minutos e é "minimalista". "Todos este projeto é uma enorme responsabilidade", concluiu.

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