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Sentar-se em escadas de Roma pode valer multa pesada

Sentar-se em escadas de Roma pode valer multa pesada

Polícia italiana começou a patrulhar zona monumental da Scalinata di Trinità dei Monti, mais conhecida como escadaria da Praça de Espanha, onde há anos os turistas têm o hábito de se sentar, e a polémica estalou com críticos a falarem em "disposição de estilo fascista".

As autoridades de Roma não param de estabelecer regras apertadas para os turistas e a última medida, que está a causar polémica, é a proibição dos visitantes se sentarem nos degraus da Scalinata di Trinità dei Monti, um conjunto monumental do século XVIII, que é património mundial da UNESCO.

A icónica escadaria, que liga a Piazza di Spagna à igreja de Trinità dei Monti, era um dos pontos "obrigatórios" de paragem para fotos na capital italiana. Só que esta tradição não pode continuar, uma vez que a nova lei fixa uma multa até 250 euros para quem se sentar num dos 135 degraus. A coima pode chegar aos 400 se alguém sujar ou danificar a estrutura.

As reações a esta nova proibição, que entrou em vigor há pouco mais de uma semana, não se fizeram esperar. Vittorio Sgarbi, crítico de arte e ex-vice-ministro da Cultura, considerou que "é positiva" a ideia de preservar os monumentos, mas entende a proibição dos turistas se sentarem "uma disposição de estilo fascista, que o município será forçado a rever".

Também Claudio Pica, presidente da Federação Italiana de Comércio e Turismo, defende que a esta regra é "absurda" e pode afastar os visitantes da cidade.

No plano oposto, o estilista Gianni Battistoni mostra-se a favor da medida. "Isto é uma pequena recuperação do civismo. A escadaria é uma obra de arte, as pessoas não se devem sentar em todas as obras-primas, porque isso impede de apreciar a beleza da paisagem", sustenta em declarações ao jornal "la Repubblica".

O novo regulamento da Polícia Urbana de Roma, que vem sendo implementado nos últimos meses, com vista a banir comportamentos inadequados, tem sido marcado por medidas surpreendentes. Entre estas, destaca-se a proibição de cantar nos transportes públicos ou de estender peças de lingerie à janela.

No início do mês, o Governo italiano já havia travado a construção de um McDonald"s junto das Termas de Caracala, com a presidente da Câmara, Virginia Raggi, a justificar que "as maravilhas de Roma têm de ser protegidas"