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Tecnologias da informação à procura de recursos

Tecnologias da informação à procura de recursos

O que podem ter em comum um especialista em reabilitação psicomotora, um mestre em oncologia molecular ou um músico? Na cidade do Porto, a resposta é esta: são alunos do primeiro curso SWitCH - palavra inglesa para "mudança" ou "troca" -, que visa transformar licenciados de qualquer área em profissionais das tecnologias de informação. A iniciativa partiu de uma série de empresas que lutam contra a carência de recursos humanos e o foco é o desenvolvimento de software.

"Em Portugal e na Europa não há recursos suficientes nesta área para cobrir as necessidades do mercado", afirma Luís Neves, presidente da Porto Tech Hub, a associação que promove este programa. Estima-se que o nosso país precise de 18 mil pessoas (quando das universidades saem, anualmente, apenas cinco mil licenciados) e, no contexto europeu, o número rondará o milhão.

O SWitCH decorre em parceria com o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP). Findos os dois semestres letivos, os alunos têm à sua espera um contrato de trabalho de um ano, numa das empresas associadas. É nessa fase que vão entrar agora os 29 (de 30 iniciais) que participaram na primeira edição da formação. Depois, o mercado fará as suas escolhas. O segundo SWitCH arranca em setembro, estando as inscrições em aberto, e serão aceites 60 candidatos. O custo é de 2850 euros.

"Não digo que seja fácil", refere Ângelo Martins, professor do ISEP e diretor do curso. Por um lado, é preciso ter disponibilidade das 9 às 17 horas. Por outro, o método de ensino obriga a um bom desempenho em equipa e à apresentação de projetos a cada 15 dias. É puxado, mas o docente sublinha: "Estamos a formar pessoas para entrar no mercado de trabalho".

Qualquer licenciado pode candidatar-se. Luís Neves refere que os alunos que mais se destacaram têm como formação anterior a música, a arqueologia, a biologia ou a história. "Temos excelentes profissionais que vieram destas áreas", realça. Uma diversidade que combina com outra: "As áreas das tecnologias da informação são cada vez mais multidisciplinares".

Depois, há a criatividade de cada um. E Ângelo Martins acrescenta outra característica dos novos formandos, a maturidade. "É completamente diferente ensinar alunos que andam por aí distraídos, com as hormonas aos saltos, ou pessoas com experiência de vida e que têm outra motivação", diz.

A verdade é que só um aluno desistiu e foi logo no início. "A área em si não define as competências das pessoas", remata o professor, a propósito da formação de base. Conseguir vaga é que pode ser complicado, pois ao primeiro curso concorreram 200 pessoas.

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