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Trotinetas: multas e acidentes sem travão

Trotinetas: multas e acidentes sem travão

Aumento do uso de trotinetes, como meio de transporte urbano, fez disparar números de sinistralidade e coimas aos utilizadores, sobretudo por estacionamento indevido e excesso de álcool. Há quem questione a falta de verificação oficial das velocidades máximas declaradas pelas operadoras.

Em apenas dois anos, o número de acidentes em Portugal envolvendo trotinetas disparou, passando de 11 em 2017 para 31 só nos primeiros três meses e meio deste ano. Lisboa é a cidade onde os números atingem maiores proporções e onde, só até 15 de maio, já se registaram mais do triplo de casos (20) dos que aconteceram nos dois anos anteriores (um em 2017 e cinco em 2018). A generalização do "transporte da moda" trouxe ainda um aumento de número de multas, a maioria por estacionamento indevido, mas também com o excesso de álcool em destaque. Dados fornecidos ao JN Urbano pela PSP não deixam dúvida sobre o crescimento da sinistralidade, sobretudo em Lisboa, onde há já sete operadores de trotinetas partilhadas. O fenómeno é transversal a outras cidades mundiais, onde, cada vez mais, se discute a necessidade de regulamentação.

Por cá, há quem já tenha sido vítima de acidentes graves e questione a supervisão do negócio de partilha destes veículos. É o caso do advogado Paulo Simão Caldas que, em outubro, fraturou um braço, uma costela e fez um traumatismo craniano, quando caiu de uma trotinete no centro de Lisboa.

Passado quase meio ano, o causídico continua à espera que a Lime - a operadora detentora do veículo - lhe responda à reclamação que efetuou. Mas, mais do que lamentar o sucedido, Paulo Simão Caldas chama a atenção para a falta de controlo da velocidade real destes veículos. "As operadoras dizem que não atingem mais de 24 Km/hora, valor que as enquadra na categoria de velocípedes, o que não obriga a ter seguro. Mas pergunto: quem verificou esses valores? Basta serem as empresas a dizê-lo?", questiona, afirmando acreditar que estas atingem velocidades muito superiores. "Porque é que nenhuma entidade recolheu meia dúzia de veículos e os mandou para o Instituto Superior Técnico para controlar a velocidade real que podem atingir?", pergunta.

O advogado conta que a queda aconteceu porque ficou sem travões. E aponta o dedo à operadora: "O modelo inicial não tinha sistema manual de travagem e o elétrico avariou. Eles próprios deram pela deficiência e substituíram as primeiras trotinetas pelas atuais, já com travão manual".

Confrontado com estas declarações, Luís Pinto, diretor de expansão da Lime em Portugal, garante que a empresa "está constantemente a inovar" e que "a produção interna permitiu ter 12 alterações da nossa trotinete Gen 2 em apenas um ano e produzir o novo modelo Gen 3". Relativamente à queixa apresentada pelo advogado, diz que a empresa, de momento, não tem "nada a divulgar".

O JN Urbano perguntou a várias operadoras quais as velocidades máximas que os veículos atingem. A Lime e a Flash responderam que era de 25Km/h e a VOI de 22 km/h. Já a HIVE disse que os seus veículos "estavam limitados tecnologicamente para não ultrapassar os 25 km/h", mas para "preservar a segurança" dos utilizadores, a empresa reduziu, há pouco tempo, para 20 km/h. Nenhuma das operadoras respondeu, porém, à pergunta sobre se os valores foram sujeitos a verificação por uma entidade pública.

A par da velocidade, chovem as queixas sobre estacionamento indevido. Em cima de passeios, a cortar passagens de peões, ou no meio de ciclovias, situações que, além de incómodas, podem ser potencialmente perigosas para cegos ou pessoas com mobilidade reduzida.

Destaque ainda para os casos de excesso de álcool. O último aconteceu terça-feira, com a detenção de um jovem de 23 anos, em Lisboa, por acusar 1,3 g/l. Desde o início do ano, a PSP da capital já fez 13 detenções por valores que configuram taxa-crime

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