Sociedade Civil

Um frigorífico no meio de S. João da Madeira para quem precisa

Um frigorífico no meio de S. João da Madeira para quem precisa

Projeto social pretende envolver comunidade. Quem quiser pode deixar comida.

Está acessível a toda a gente e qualquer pessoa lá pode pôr comida, para que quem precise possa tirar. O Frigorífico Solidário não é um conceito novo, mas há poucos a nível nacional. Vai estar instalado, em S. João da Madeira, no Centro Coordenador de Transportes, dentro de pouco tempo. É um projeto que acredita na consciencialização da comunidade.

"Uma senhora que tinha um restaurante decidiu instalar à porta um frigorífico onde punha as sobras do dia, para que quem precisasse pudesse lá ir buscar durante a noite", conta Joana Correia, do Centro Humanitário da Cruz Vermelha de S. João da Madeira. O caso aconteceu na Índia e, hoje, o frigorífico solidário é uma prática comum pelo Mundo fora, principalmente nos Estados Unidos. Por cá, existe na freguesia do Muro, na Trofa, e em Alcântara, Lisboa. A ideia de trazer o conceito para S. João da Madeira foi de Joana Correia, diretora do Centro Humanitário, e de Iolanda Santos, assistente social, mas quem o vai pôr em prática é a Junta de Freguesia, por ter sido um dos projetos vencedores do Orçamento Participativo.

"Fomos visitar a freguesia do Muro e estranhamos ter lá um frigorífico por não haver controlo. Pensamos: então e as pessoas não tiram? E percebemos aí que se trata também de educar a sociedade", explica Joana. Quiseram replicar a boa prática, que nem sequer sai cara. Para avançar, basta comprar um frigorífico e fixá-lo ao chão ou parede para evitar roubos. E a ideia, segundo Joana, é chegar, a pessoas carenciadas, principalmente aos sem-abrigo. "S. João da Madeira é o segundo concelho de Aveiro com mais sem-abrigo identificados. Temos a ideia de que esta é uma cidade rica, mas há muita pobreza. Está escondida e isto serve para colmatar a vergonha de recorrer às instituições". Iolanda explica que "normalmente os alimentos são dados a famílias identificadas pelas suas carências, mas neste projeto não vai haver qualquer avaliação". É num espírito de corresponsabilização entre a comunidade e quem mais precisa que vai funcionar. Daí que digam ser uma ideia ousada e que pode mudar mentalidades. "Se temos uns iogurtes em casa a passar do prazo, podemos deixar no frigorífico, por exemplo. E se não precisamos, não vamos tirar", diz Joana. A Dona Frigo, como se chama, vai ficar no Centro Coordenador de Transportes, um sítio de passagem, no centro da cidade, com acesso também durante a noite.

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