Ponte de Lima

Vinha faz Cabração renascer das cinzas e torna-se aliada na prevenção de incêndios 

Vinha faz Cabração renascer das cinzas e torna-se aliada na prevenção de incêndios 

A paisagem que há dois anos ficou pintada de negro por causa de um incêndio devastador está a começar a dar lugar a uma vasta área de plantação de vinha na freguesia da Cabração, em Ponte de Lima.

O investimento estimado em sete milhões de euros da empresa Aveleda S.A. promete fazer renascer das cinzas um território que tem uma das mais amplas áreas de baldio do Alto Minho. Aliado à produção de vinho, o investimento pretende também constituir-se como um projeto inovador na preservação da biodiversidade e prevenção de fogos florestais, através da arborização do terreno adjacente à vinha com espécies autóctones resistentes ao fogo. "Neste local, o risco de incêndio é grande, por isso, o nosso projeto está estruturado para minimizá-lo. Se por um lado, o vasto comprimento da vinha irá formar uma barreira à progressão dos incêndios, por outro, vamos plantar à volta da vinha uma zona com árvores de folha caduca que, por si só, são tampões e representam com maior naturalidade aquilo que é a paisagem da região", explicou António Guedes, administrador do grupo Aveleda, no final da apresentação do projeto que decorreu, esta quarta-feira, na Cabração.

A plantação da vinha está a decorrer a "todo vapor" e enquadra-se no plano estratégico da empresa que pretende aumentar a sua área de vinha própria de 150 para 600 hectares. O facto de a Cabração ter um baldio com terrenos xistosos contribuiu de forma decisiva para que a Aveleda decidisse avançar para o maior investimento vinícola da sua história que já leva quase 150 anos. "O local foi escolhido a dedo. É um local de excelência para a produção de vinhos de qualidade. A serra d'Arga funciona como uma barreira protetora dos ventos marítimos ao mesmo tempo que beneficia da proximidade do Atlântico e de uma brisa marítima leve e constante. Os solos de xisto desta exploração também nos permitem ter uma maior diversidade de terroirs que trabalhamos, uma vez que cerca de 99% da Região tem solos baseados em granitos ou aluviões", explicou Pedro Barbosa, diretor de viticultura da Aveleda,

O contrato celebrado entre o Conselho Diretivo de Baldios da Cabração e a empresa sediada em Penafiel prevê a exploração de 200 hectares de terreno baldio dos cerca de 1300 hectares que a freguesia tem, mediante o pagamento de uma renda. O projeto será faseado até 2020, sendo que este ano já estão a ser investidos cerca de 2,5 milhões de euros na plantação de 70 hectares. No próximo ano, já deverá ser possível obter 40% da produção de vinho, o que corresponde a cerca de 750 mil litros. O vinho produzido na Cabração será para as marcas da empresa, cujas vendas estão direcionadas em cerca de 70% para o mercado externo.

Nos 200 hectares previstos para esta exploração será produzido vinho das castas Loureiro, Fernão Pires, Alvarinho e Arinto. De acordo com a empresa, este investimento corresponde a "um compromisso a longo prazo [no mínimo 30 anos] que implica a criação de postos de trabalhos, dinamização da economia local, tornando-se o mais relevante projeto desenvolvido, até hoje, na Região Demarcada dos Vinhos Verdes". Por parte do grupo empresarial, há ainda a possibilidade de ser criado na Cabração um posto de vinificação que envolva outros produtores locais.

Nesta fase de plantação já se notam os efeitos na dinamização económica através da criação de empregos. "Permanentemente precisamos de oito tratoristas e, tendo em conta a sazonalidade desta atividade, nos picos de trabalho precisaremos entre 40 a 50 pessoas para trabalhar na vinha", referiu o administrador.

Este é o maior investimento vinícola que o concelho de Ponte de Lima já teve e para o Conselho Diretivo dos Baldios da Cabração representa uma oportunidade de ouro para reconstruir de forma sustentada o território. "A descontinuidade florestal, permitindo uma melhor prevenção de fogos florestais, o ordenamento, o melhor aproveitamento, rentabilização e valorização dos terrenos do baldio, bem a criação de emprego como já está a acontecer" são as vantagens que José António Vieira, presidente do Conselho Diretivo de Baldios, aponta com a concretização deste investimento. "Por outro lado, além do impacto económico e social, acreditamos que poderá dar um contributo muito importante para suster a desertificação, bem como promover a dinamização deste território do interior", acrescentou José Vieira, admitindo que, no futuro, se avance para a criação de trilhos turísticos que traga gente à Cabração.

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