Nos olhos de

Leiria vista por um enfermeiro

Leiria vista por um enfermeiro

Apesar de em criança ter de ser levado à força ao médico, tal era o medo de batas brancas, João Duarte, agora com 49 anos, sempre gostou de cuidar dos outros, pelo que se licenciou em Enfermagem na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria. A sua primeira experiência profissional foi no hospital "velho", na urgência geral e nos cuidados intensivos gerais.

Só a chuva intensa impede João Duarte, 49 anos, de se deslocar de mota entre casa, em Porto de Mós, e o Hospital de Leiria, onde trabalha há 26 anos. Vinte minutos em que aproveita para descontrair, antes de vestir a bata de enfermeiro e entrar ao serviço na unidade de cuidados intensivos cardíacos. "Sempre trabalhei com doentes críticos. A minha profissão é cheia de desafios, de manhã à noite", conta. "Ser motard é uma forma de combater o stresse. Enquanto ando de mota, faço um reset de tudo". O dia de João Duarte começa às 6.30 horas com a prática de exercício físico e de ioga, para aliviar uma lesão na coluna cervical, causada pelo trabalho. "Encaro o dia logo de outra forma", garante. Contudo, trabalhar por turnos no hospital e o resto do dia a prestar serviços de enfermagem numa multinacional impossibilitam João Duarte de ter uma "rotina do sono", que tenta enganar nos dias de folga. Ser enfermeiro é ainda um "entrave" na altura de marcar programas com os amigos. Mas sente necessidade de sair da rotina, nem que seja apenas para ir tomar um café ou acompanhar os eventos promovidos na cidade, mesmo que apenas de passagem. Há dez anos, quando nasceu o segundo filho, mudou-se para Porto de Mós, em busca de melhores condições de vida para a família. Hoje, tem uma opinião diferente. "Leiria foi requalificada, criaram o percurso do Polis e o ambiente envolvente é agradável", observa. "É uma cidade segura e tranquila. Há pessoas que vão trabalhar para o hospital porque querem viver cá".