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Livraria LGBT de Paris forçada a mudar-se

Livraria LGBT de Paris forçada a mudar-se

Ícone gay em França não resiste ao aumento das rendas e vai dar lugar a uma sapataria da Doc Martens. Donos não desistem e procuram novo local na cidade para não deixar morrer o espírito que marcou o espaço de cultura no bairro de Marais.

Quarenta anos após a sua fundação - e 37 depois de se ter fixado no bairro de Marais, no coração de Paris -, a histórica livraria "Les Mots à la Bouche" recebeu guia de marcha e vai ter de abandonar as instalações para dar lugar a uma sapataria Doc Martens. O aumento brutal das rendas naquela zona central da capital francesa ditou o futuro próximo deste que é considerado um dos melhores espaços de literatura LGBT no Mundo. A comunidade gay não se conforma e considera que "o património cultural está em perigo", conforme se lê num cartaz afixado na montra da loja.

O destino está assim marcado e, até 31 de março, a "Les Mots à la Bouche" terá de deixar a loja em Marais. O proprietário do espaço já fez saber que quer aproveitar a onda de aumento generalizado das rendas para rentabilizar aquelas instalações. Na prática, isso significaria triplicar ou quadruplicar o valor do aluguer atual, algo incomportável para os livreiros.

A preocupação é crescente naquele núcleo da capital francesa, conhecido precisamente pela concentração de lojas e bares gay. "Encontrar uma zona da cidade com uma visibilidade equivalente à que temos agora de deixar é algo complexo", escrevem os proprietários da livraria na sua página de Facebook, onde, no entanto, sublinham que "não desesperam" e garantem estar determinados "acima de tudo a não fechar".

"A Câmara de Paris promove uma história gay de Marais, e até pinta as paredes com arco-íris, mas não ter a nossa livraria aqui parece absurdo", refere o gerente, Sébastien Grisez.

Mas este é apenas mais um dos casos de estabelecimentos comerciais que têm vindo a fechar na zona, ao passo que a especulação imobiliária ocupa a cidade.

Situado na margem norte do rio Sena, Marais foi habitado pela nobreza até finais do século XIX e depois disso uma zona de forte concentração da comunidade judaica.

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Na atualidade está convertida em local turística e de eleição pela comunidade gay. Paralelamente, as raízes históricas que ligavam o bairro à classe trabalhadora foram lentamente substituídas pela instalação de marcas de luxo e de novos negócios, nomeadamente o alojamento local

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