Melhor Unidade de Saúde Local do país tem toque de inspiração japonês

Melhor Unidade de Saúde Local do país tem toque de inspiração japonês

A Unidade Local de Saúde do Alto Minho foi distinguida, a nível nacional, pelo seu desempenho na qualidade assistencial, eficiência e adequação dos cuidados. A Gastrenterologia, dirigida por um médico admirador da tecnologia e organização nipónicas, é um dos serviços de ponta da instituição.

Parece outro hospital dentro do hospital central da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) em Viana do Castelo. É o que sente quem entra na ala onde está instalado o Serviço de Gastrenterologia, dirigido pelo médico Luís Lopes, também docente na Universidade do Minho (UM). O espaço, onde o cor de laranja predomina, distingue-se em tudo da restante área hospitalar. "Já me perguntaram se aqui era uma clínica privada", brinca o diretor de serviço.

Admirador da tecnologia e eficiência da gestão de recursos japonesas, o clínico adotou o que considera serem "bons exemplos" e transformou aquela ala numa espécie de "Toyota". A organização é pensada ao milímetro e o desempenho médico, os equipamentos e as técnicas "são de topo". E há uma "área de excelência" que é endoscopia de intervenção. "Aí estamos, sem falsas humildades, na linha da frente do melhor que se faz a nível nacional. Haverá outros que fazem tão bem como nós, mas estamos com certeza nos primeiros lugares e competimos em algumas coisas a nível internacional", garante Luís Lopes, acrescentando que "30% da atividade de endoscopia de intervenção já vem de outras instituições".

A ULSAM conquistou, pela terceira vez, um primeiro lugar nos prémios "Top 5 - A Excelência dos Hospitais Portugueses". O projeto na área do benchmarking hospitalar distingue os melhores níveis de desempenho global, agrupando os hospitais por clusters e acautelando diferenças estruturais. A ULSAM ficou à frente no cluster que inclui as Unidades Locais de Saúde da Guarda, Castelo Branco, Matosinhos, Baixo Alentejo, Litoral Alentejano, Norte Alentejano e Nordeste.

Constituída por dois hospitais (Viana e Ponte de Lima), 12 centros de saúde, uma unidade de saúde pública e duas de convalescença, a ULSAM obteve a melhor performance na globalidade dos indicadores: Qualidade assistencial (mortalidade, complicações e readmissões), Eficiência (demora média, custos operacionais por doente, doente por médico e por enfermeiro) e Adequação (cirurgia de ambulatório e cesarianas).

O diretor do Serviço de Gastrenterologia considera que estes prémios "ajudam à perceção pública". "São importantes para mostrar que estas instituições têm qualidade. É que, por vezes, tem-se a noção que só há qualidade nos hospitais tradicionais de Porto, Coimbra e Lisboa", observa.

Franklim Ramos, presidente do Conselho de Administração, diz que "a excelência não seria possível sem a contribuição de todos os serviços", mas destaca algumas áreas de mérito. Entre elas, a interação dos cuidados de saúde primários e hospitalares, a gestão da doença crónica, Gastrenterologia, Obstetrícia, Neurologia e cirurgia do colo retal e da mama. "Infelizmente há coisas que temos de melhorar muito e o cidadão dever-nos-á ajudar nisso, dizendo-nos o que não está bem. Mas também é um facto que a população deve ter orgulho ao saber que tem unidades de saúde que se preocupam em atingir patamares de excelência", refere.

Fátima Fonseca, diretora clínica dos Cuidados de Saúde Primários, entende que "a integração de cuidados que permite proximidade, globalidade de tratamentos e uma melhor gestão da doença crónica, é uma vantagem da ULSAM", que acaba por resultar em prémios. Já Paula Pinheiro, diretora da Maternidade, refere que aquele serviço trilha o caminho da excelência, com a criação de "um novo bloco de partos do século XXI em 2019"

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