São João da Madeira

Nesta Câmara, cães e gatos convivem com poder político

Nesta Câmara, cães e gatos convivem com poder político

Sanjo e Oliva foram os felinos adotados pela Câmara Municipal de São João da Madeira e vivem desde outubro no edifício dos Paços do Concelho, para onde os funcionários também podem levar os animais de estimação. A ideia é incentivar a adoção. As reações não podiam ser melhores.

À saída do elevador, no 6.º piso da Câmara de S. João da Madeira, está o aviso colado na porta de vidro que dá acesso aos gabinetes dos vereadores: "Por favor mantenha a porta fechada. Aqui há gato". Parece brincadeira até tropeçarmos em dois felinos que lá habitam desde outubro. "Eles vivem neste T6, ocupam todo o piso", revela Paula Gaio, vereadora da Ação Social, enquanto tenta apanhá-los. A Autarquia adotou dois gatos e ainda abriu portas aos animais de estimação dos funcionários.

"Temos aqui a caminha e os comedouros", adianta Paula Gaio, enquanto aponta para um canto escondido atrás de uma secretária. Ela e Irene Guimarães, vereadora da Educação, amadrinharam os gatos depois de um desafio do presidente, Jorge Sequeira. "Após uma Assembleia Municipal, onde foi abordado o tema dos animais abandonados pela Ani S. João, o presidente lançou-nos o repto de adotarmos um gatinho". E porque não dois?, terão pensado. E assim os irmãos Sanjo e Oliva chegaram, pequeninos, ainda assustados, ao T6. Agora, já se aventuram em sonos por cima das secretárias ou na janela, estendidos ao sol.

"Eles viviam numa transportadora durante o dia e durante a noite ficavam numa jaula", conta Irene Guimarães, que diz que os nomes dos bichanos são fáceis de explicar. "Sanjo era uma fábrica em S. João da Madeira muito conhecida pela produção de sapatilhas. E Oliva foi outra empresa emblemática da cidade". Talvez por isso, toda a gente os saiba de cor. O guizo ao pescoço denuncia-os quando se estão a aproximar. O Sanjo mais atrevido, a Oliva mais tímida.

As funcionárias da limpeza tratam da areia e da comida, mas na verdade todos acabam por dar uma mãozinha. E até têm direito a visitas de quem sobe ao 6.o piso só para lhes dar mimos. "Temos mais de 250 pessoas a trabalhar na Câmara e não é fácil conhecer todos. Mas desde que os gatos aqui estão que já conhecemos uma série de funcionários que nunca cá tinham vindo e que vêm só por causa deles". Os benefícios, diz Paula Gaio, são mais do que muitos. "A qualidade de vida destes animais melhorou muitíssimo, mas a nossa também", observa.

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A medida, sabem-no, é disruptiva e serve para sensibilizar para a adoção de animais abandonados e para dar o exemplo. De tal forma que estão a criar a figura do provedor do animal e têm em curso o apoio a famílias carenciadas para a esterilização de animais de estimação.

Mas as portas da Câmara não se abriram só para o Sanjo e para a Oliva. Agora, os funcionários também podem levar os amigos de quatro patas para o trabalho, quando não têm a quem os deixar. Alexandra Alves, técnica responsável pelo Turismo, está num gabinete da Torre da Oliva e nem sempre está sozinha. "Trago o Eddie às segundas e sextas, são dias mais calmos". A um canto, uma almofada e gamelas, e estendido aos pés da mesa um buldogue pachorrento. "Eu e o meu marido trabalhamos muitas horas e ele fica stressado quando não estamos em casa. Aqui fica todo cor de rosa, até parece que anda a sorrir o dia todo". Quando Alexandra recebe gente no gabinete, a pergunta já virou praxe: "Tem medo de animais?". Primeiro, os colegas estranharam ter um cão no serviço, agora Eddie já quase faz parte da equipa. Nas pausas, aproveita para o levar lá fora: "Não é um motivo de distração, pelo contrário. O dia corre-me muito melhor quando ele está cá e fico de consciência tranquila", conclui

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