"O turismo veio salvar uma parte da cidade do Porto"

"O turismo veio salvar uma parte da cidade do Porto"

Francisco José Viegas faz regressar à Invicta a sua criação mais célebre, Jaime Ramos, no novo romance, "A luz de Pequim". Jornalista e historiador Germano Silva é uma das personagens do livro.

O regresso de Francisco José Viegas aos romances policiais marca também o regresso do seu protagonista, o inspetor Jaime Ramos, à sua cidade de sempre, o Porto. Em "A luz de Pequim" - cuja ação se espraia também pela capital chinesa e pelas paisagens minhotas e durienses -, vemos o mais carismático dos nossos policiais a observar os "telhados da Sé como um mar encapelado e disforme a riscar o céu que não tem fim" e a perder-se na multidão de turistas às portas de "lojas de sardinhas em lata, garrafas solitárias de vinhos do Porto ou rosés que hão de ser substituídos por queijos de vale de Cambra".

Cético, Jaime Ramos sente que aquela já não é bem a sua cidade, o que só aumenta o seu desencanto. Francisco José Viegas, que até prefere o novo ao antigo, compreende o estado de alma da sua criação. "A verdade é que ele tem 60 anos e a cidade que conheceu, onde passou a sua juventude e idade adulta, mudou muito. Algumas coisas do Porto moderninho são ridículas, mas o turismo também veio salvar uma parte da cidade, não é? A recuperação da Baixa e de muitas zonas deprimidas deve-se ao turismo...".

No capítulo dedicado à Invicta, impressiona a reconstituição fidedigna dos espaços e das histórias. Um rigor que se explica pela determinação em "ser fiel aos lugares, à alma dos lugares". Mas não só. "O Porto é o meu território imaginário, o meu mapa sentimental", defende Viegas, que garante contar com auxílios vários nessa tarefa, seja da sua esposa, originária do Porto, ou até de leitores.

Nesta convocação do Porto ancorada na realidade não falta sequer a figura do jornalista e historiador Germano Silva, que a dada altura passeia com Jaime Ramos pela Rua das Flores, subindo até São Lázaro depois de passarem pelas ruas da Baixa. "Uma pessoa está com o Germano e apetece folheá-lo", graceja o romancista.

Entrar como personagem num livro de ficção não é novidade para o experiente jornalista. Richard Zimler, Germano Almeida e Alberto S. Santos foram alguns dos autores que já o transpuseram para as suas páginas. A repetição em nada diminui "a grande honra", diz. "Acima de tudo, sinto que o Porto está cada vez mais representado na literatura e é isso que me agrada tanto", remata.

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