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Observatório JN: As catástrofes e as crianças

Observatório JN: As catástrofes e as crianças

"As crianças e os jovens são agentes de mudança e deveria ser-lhes dado espaço e ferramentas para contribuírem para a redução do risco de catástrofes, de acordo com a legislação, com as práticas nacionais e com os currículos educacionais".

É deste modo que o Quadro de Sendai para a Redução do Risco de Catástrofe, aprovado pela ONU para o período 2015-2030, perspetiva a participação das crianças e dos jovens no processo de construção da resiliência das comunidades ao risco de catástrofe.

No âmbito do Projeto Europeu Culturas de Resiliência à Catástrofe entre Crianças e Jovens (CUIDAR), foi elaborado um "Referencial para a Gestão de Catástrofes Centrado nas Crianças", construído a partir das experiências de partilha, entre a equipa do projeto e as crianças e jovens que nele participaram.

A equipa de projeto, integrada por investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e coordenada pela Universidade de Lancaster, no Reino Unido, trabalhou com 532 crianças e jovens com idades compreendidas entre os 6 e 18 anos, em cinco países (Espanha, Grécia, Itália, Portugal e Reino Unido).

Constitui objetivo geral do projeto CUIDAR "Aumentar a resiliência das crianças, jovens e sociedades urbanas às catástrofes e permitir que os decisores políticos e os profissionais que trabalham na área das catástrofes, planeamento de emergência e redução de riscos vão ao encontro das necessidades das crianças e jovens de forma mais eficaz".

Quanto aos objetivos específicos do CUIDAR, estes apontam no sentido de "compreender melhor as perceções de risco e as necessidades e capacidades das crianças e jovens em situações de catástrofe em contexto urbano; aumentar a sensibilização e o conhecimento dos profissionais de resposta a emergências e dos decisores políticos sobre as necessidades de crianças e jovens em situação de catástrofe; facilitar a comunicação entre profissionais de proteção civil, crianças e jovens em contexto urbano; melhorar a estrutura de gestão de catástrofes, as políticas e as práticas, de forma a integrar as necessidades especificas de crianças e jovens em situações de catástrofe urbana".

A equipa de investigadores constatou que "as crianças querem aprender mais sobre riscos e emergências, expressam fortemente a vontade de apoiar a sua comunidade, as suas famílias e os seus pares, ajudar os outros e tomar medidas para reduzir o risco".

A referida equipa formula ainda várias recomendações às estruturas de proteção civil, acentuando a importância qualitativa da ligação destas à Universidade e aos centros de produção de conhecimento, enquanto suportes indispensáveis à qualidade da decisão política. Por outro lado, destaca a importância dos mecanismos de participação das crianças e jovens na construção de comunidades mais resilientes.

"Os decisores políticos e profissionais devem: reconhecer o direito de as crianças serem incluídas na gestão de emergências; trabalhar com crianças a nível local, regional e nacional; coproduzir planos de gestão de catástrofe centrados na criança; promover a educação para o risco".

Deixo à consideração dos decisores, políticos e operacionais do nosso país, esta mensagem-chave do projeto.

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