SOS Floresta

Observatório JN: Não brinque com o fogo, não brinque com a vida

Observatório JN: Não brinque com o fogo, não brinque com a vida

Os sistemas de proteção civil estão normalmente dimensionados para acorrer e resolver fenómenos normais, mas não fenómenos extraordinários de incêndios que têm fases com intensidades, quantidade de energia libertada e velocidade de propagação que são completamente impossíveis de enfrentar.

O país está a sair de dias de temperaturas severas, mas os estudos apontam para a ocorrência cada vez mais frequente de fenómenos extremos.

Face a este cenário, é importante que cada um de nós não ponha em risco a sua vida e a de quem nos rodeia, ao ser causador de incêndios que rapidamente se podem transformar em catástrofe, às vezes por comportamentos tão desnecessários ou inúteis como o lançamento de uma beata pela janela de um automóvel, ou a execução de trabalhos agrícolas ou florestais em condições adversas.

Há uma responsabilidade de todos nas atitudes que adotamos, em dias com previsão de risco de incêndio elevado. Além de evitar comportamentos de risco, sejamos vigilantes da nossa própria segurança ao impedir que outros tenham esse tipo de comportamentos.

Não somos polícias nem autoridades, mas somos seres racionais, que não devemos nem podemos permitir que atos irresponsáveis e irracionais nos possam causar danos irreparáveis de tal ordem que nos marcam para o resto da nossas vida e daqueles que nos rodeiam, ou que simplesmente acabem com ela em sofrimento extremo....

Contribuamos também de forma ativa e responsável para a nossa autoproteção:

- limpando os materiais facilmente incandescentes - lenhas, plásticos, borrachas, etc - à volta das nossas casas;

- fechando todas as portas e janelas sempre que tivermos um incêndio próximo;

- armazenando água - banheiras, lavatórios, baldes - no interior das habitações;

- humidificando as áreas mais expostas e mais sensíveis ao fogo;

- adotando vestuário que cubra o mais possível o nosso corpo;

- não tomando atitudes precipitadas que nos podem pôr ainda mais em risco do que se mantivermos alguma racionalidade, calma e refúgio em locais seguros, como normalmente são as nossas casas;

- não circulando nestes dias em estradas florestais, exceto se estritamente necessário;

- não sendo espectador de incêndios, dado que isso provoca perturbações em todo o sistema de proteção e socorro, podendo estar a pôr-se em perigo, sobretudo nestas condições em que o comportamento do fogo se pode alterar de forma inesperada.

Sempre que, ao longo do verão e particularmente em dias com temperaturas elevadas, pensar em arriscar um ato que possa originar fogo, considerando que não haverá problema algum, lembre-se de Pedrogão Grande, dos incêndios de outubro ou de Maiti, e não o faça.

As condições adversas podem causar situações tão graves, surpreendentes e aterradoras como as dessas trágicas memórias.

Não brinque com o fogo. Não brinque com a vida.

*ENGENHEIRO FLORESTAL E ANALISTA DE INCÊNDIOS