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Pandemia

Especialista ajuda a perceber casos mortais de Covid-19 em jovens

Especialista ajuda a perceber casos mortais de Covid-19 em jovens

A morte da primeira criança diagnosticada com Covid-19 no país fez disparar os alarmes, mas Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, afirmou que é preciso ter "muita reserva na análise desta situação".

Vítor Godinho, 14 anos, deu entrada na Urgência do Hospital S. Sebastião, na Feira, no sábado de manhã, com febre e em estado crítico. Acabou por falecer aí na madrugada seguinte. O teste à Covid-19 deu positivo, mas só a autópsia, a realizar entre hoje e amanhã, poderá revelar a causa da morte. É a primeira criança em Portugal a morrer depois de ser diagnosticada com o novo coronavírus. São raros os casos de morte de crianças ou jovens por Covid-19. A infeciologista Isabel Aldir dá as respostas possíveis:

Há menos crianças e jovens diagnosticados com Covid-19 do que adultos e idosos. São menos propensos à doença?
É uma das muitas questões para as quais ainda não há certeza. É possível que as crianças sejam igualmente infetadas, mas, porque o seu sistema imunitário responde melhor, não apresentem tantos sintomas e nem são testadas.

As crianças e jovens representam um risco de contágio maior?
Não só as crianças poderão ter menos sintomas, como têm mais dificuldade em cumprir cuidados de higiene. Podem por isso ser vetores da doença. As escolas fecharam não tanto para as proteger, mas para proteger toda a comunidade.

O vírus transmite-se com mais facilidade se estiver alojado num corpo jovem?
O vírus comporta-se da mesma forma, qualquer que seja a idade da pessoa infetada.

Como se compreende que haja jovens, sem outras doenças, a sucumbir à Covid-19?
Aqui entra em jogo o fator matemática. É menos provável que um jovem tenha manifestações graves, mas não é impossível. À medida que aumenta o número de mortes, também aumenta a probabilidade de uma criança ou jovem morrer.

Uma criança ou jovem que tenha outras doenças é uma pessoa de risco?
Sim. A premissa de que um jovem está mais protegido perde toda a validade se tiver outras doenças, como asma ou diabetes tipo 1, que exige insulina. Globalmente, insuficiência respiratória ou alterações do sistema imunitário transformam-nos em pessoas de risco.

Se pode haver mais crianças e jovens infetados do que sabemos, será que ajudam a criar imunidade de grupo?
Ainda não há certeza se a doença confere imunidade duradoura, como o sarampo ou hepatite A. Esta doença é muito nova. Mas mesmo que se possa adoecer segunda vez, terão ficado no organismo anticorpos que ajudarão a proteger, se não no todo, pelo menos em parte.

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