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Especialistas em córnea vencem prémio Champalimaud

Especialistas em córnea vencem prémio Champalimaud

O holandês Gerrit Melles e o sueco Claes H. Dohlman, conhecido como "pai da ciência moderna da córnea", são os vencedores do Prémio António Champalimaud de Visão 2022. O maior prémio mundial na área da visão, no valor de um milhão de euros, entregue esta tarde em Lisboa, distinguiu as investigações dos dois médicos-cientistas no tratamento de doenças da córnea. O júri considerou que os seus conhecimentos melhoraram as intervenções cirúrgicas e possibilitaram transplantes com córneas artificiais.

As investigações dos médicos-cientistas Gerrit Melles e Claes Dohlman permitiram tratar a cegueira de milhões de pessoas em todo o mundo, associada a lesões e distúrbios da córnea, e impediram que outras fiquem cegas no futuro.

Num comunicado enviado às redações, a Fundação Champalimaud apontou que os "dois médicos-cientistas mudaram e aceleraram de forma decisiva o caminho para o tratamento" da cegueira ao contribuírem com "um conhecimento mais aprofundado da camada externa transparente do olho, bem como a possibilidade de garantir uma abordagem melhorada e mais económica à cirurgia e ao transplante da córnea".

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Gerrit Melles, médico-especialista em córnea e fundador Netherlands Institute for Innovative Ocular Surgery, em Roterdão, contribuiu para o melhoramento da cirurgia da córnea, aumentando a esperança e a qualidade de vida a milhões de pessoas operadas. O tratamento de doenças na córnea com o uso mínimo de técnicas cirúrgicas invasivas, desenvolvido por Gerrit Melles nos últimos 20 anos, acelerou a reabilitação visual dos pacientes e diminuiu o risco de complicações que requereriam tratamentos adicionais. Em 2016, foi reconhecido como "uma figura lendária da cirurgia córnea" pelo The Ophthalmologist - publicação jornalística dedicada à área da oftalmologia. De acordo com a Fundação Champalimaud, as abordagens cirúrgicas de Gerrit Melles "representam a maioria destas cirurgias em diversos países e estão a expandir-se em todo o mundo".

A investigação que Clares H. Dohlman tem desenvolvido ao longo da sua vida deu-lhe o título de "pai da ciência moderna da córnea". Aos 100 anos de idade, o médico-cientista sueco é agora premiado pela córnea artificial que desenvolveu, capaz de devolver a visão aos pacientes, especialmente a daqueles que se encontram num estado demasiado danificado para conseguir beneficiar de um transplante adicional, através de doadores. A córnea artificial, conhecida como "Boston Cornea" (ou "KPro"), inicialmente pensada na década de 60, é atualmente usada a nível global. Segundo a Fundação Champalimaud, estima-se que mais de 700 dos maiores especialistas em córnea do mundo tenham sido formados por Dohlman. Apesar de se ter reformado dos cargos administrativos em 1989, continua a ser um mentor para a comunidade da Harvard Medical School.

Desde 2006 que o prémio na área da visão, no valor de um milhão de euros, reconhece contribuições inovadoras no alívio dos problemas da visão e investigações genéricas na área da visão. São premiados nos anos ímpares trabalhos desenvolvidos no terreno por instituições na prevenção e no combate à cegueira e doenças da visão, principalmente nos países em vias de desenvolvimento. Nos anos pares, como é o caso desta edição, o prémio é atribuído às pesquisas científicas de grande escala que tenham contribuído para avanços significativos na compreensão e preservação da visão.

No painel de jurados estão especialistas internacionais e figuras públicas envolvidas na luta contra as causas e problemas que se vivem nos países em vias de desenvolvimento.

A edição de 2022 contou com a colaboração da "Apoio da Visão 2020" - iniciativa global para a prevenção da cegueira, lançada em colaboração com a Organização Mundial da Saúde e com a Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira. Foram reconhecidos os avanços no tratamento de doenças na córnea, uma das principais causas de cegueira.

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