Demografia

Esperança de vida sofre maior retrocesso desde 1980

Esperança de vida sofre maior retrocesso desde 1980

INE divulga primeiras estimativas para o triénio 2019-2021

O Instituto Nacional de Estatística (INE) acaba de avançar as suas primeiras previsões de impacto da sobremortalidade causada pela covid-19 na esperança de vida. De acordo com os dados revelados esta sexta-feira de manhã, a esperança de vida, tida como indicador de desenvolvimento de um país, poderá recuar até três meses. É o maior retrocesso desde, pelo menos, 1980.

No que à esperança de vida à nascença concerne, o INE estima que, para o triénio 2019-2021, possa vir a situar-se nos 80,33 anos, o que representa uma redução de 2,76 meses face ao triénio 2018-2020. Já a esperança de vida aos 65 anos, que serve de cálculo às pensões de velhice, poderá cair três meses face ao triénio anterior, para os 19,44 anos.

Analisando as séries disponibilizadas no site do gabinete de estatísticas português, com início no triénio 1980-1982, trata-se do maior recuo na esperança de vida, tanto à nascença como aos 65 anos. Um indicador em crescendo de ano para ano, apenas interrompido, de acordo com as referidas séries, no triénio 1995-1997, quando a esperança de vida à nascença recuou 2,16 meses e a dos 65 anos 1,56 meses.

Para estas estimativas o INE recorreu aos dados de óbitos de 2019 e 2020, a dados preliminares de óbitos de janeiro a abril deste ano e a previsões de mortes para os meses de maio a dezembro de 2021. Já para o triénio 2018-2020, o Instituto apurou uma esperança de vida à nascença de 81,06 anos e aos 65 anos de 19,69 anos. Contudo, como explicam no documento divulgado, estas tábuas de mortalidade "não refletem ainda na totalidade os efeitos da mortalidade ocorrida em 2020", que só se fará "sentir em pleno nas tábuas para 2019-2021".

Estimativas diferentes das do Eurostat, com os cálculos do gabinete de estatísticas europeu a apontarem para um recuo de 9,6 meses na esperança de vida à nascença em Portugal, para os 81,1 anos. Prevendo ainda o Eurostat um recuo de 8,4 meses na esperança de vida aos 65 anos, para os 19,9 anos. Diferenças que se explicam tendo em conta que, desde 2007, o INE calcula a esperança de vida por triénio, podendo assim diluir-se o impacto da mortalidade de 2020 no triénio 2019-2021.

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