Vacinação

Esperas de 1 hora em Lisboa levam a improvisar sistema de senhas

Esperas de 1 hora em Lisboa levam a improvisar sistema de senhas

O centro de vacinação da Cidade Universitária, em Lisboa, teve de improvisar este sábado um sistema de senhas para responder à afluência de pessoas no primeiro dia de casa aberta para idosos com mais de 80 anos. A fila de espera para pessoas sem marcação chegou a ter quase uma centena de pessoas, com tempos de espera de uma hora. Idosos com problemas de saúde sujeitos à longa espera ao sol e ao frio tiveram de ser auxiliados pelos bombeiros.

A distribuição de 200 senhas começou a ser feita perto do meio dia, quando a afluência de pessoas aumentou. Cláudia Teixeira, coordenadora do centro de vacinação, referiu ao JN que a prioridade foi dada às pessoas que tinham agendamento para a 3ª dose da vacina da covid ou gripe, estando previstos mil agendamentos só para o dia de hoje. Alguma confusão foi gerada pela existência de duas filas, pois as pessoas não sabiam para qual delas se dirigir.

O longo tempo de espera levou a que algumas pessoas se revoltassem e discutissem com um agente da polícia municipal que estava a controlar a fila. Manuel Valera, de 80 anos, mora na zona da Avenida de Roma e chegou por volta das 10.50 horas. Dirigiu-se ao Estádio Universitário para levar a 3ª dose da vacina contra a covid, tendo esperado cerca de 50 minutos. "Achava que [a casa aberta] era só para a faixa etária com mais de 80 anos", disse.

Uma hora também foi o tempo de espera de Iolanda Mendes, de 24 anos e do seu avô José Oliveira de 80, que se encontrava uma cadeira de rodas. "O serviço deveria ser mais rápido porque são pessoas idosas. Deviam fazer com que as pessoas não estivessem tanto tempo à espera na fila ao frio e ao sol", lamentou Iolanda Mendes.

Com 94 anos, Rosa Ribeiro, com vários problemas de saúde e a atravessar uma pneumonia, começou por aguardar sentada num banquinho na fila, trazido de casa. Depois da insistência da sua filha, um bombeiro levou a idosa numa cadeira de rodas para aguardar dentro da tenda à entrada do centro de vacinação, onde se encontravam sete idosos sentados.

Vários jovens entre os 12 e 40 anos engrossaram a fila das pessoas sem marcação. Moradora no Bairro da Boavista, Mónica Lourenço, de 16 anos, aproveitou o facto de uma amiga ter ido levar a 2.ª dose da vacina contra a covid para tomar a 1.ª dose. Diogo Filipe, de 31 anos, há 45 minutos na fila, recorreu também à casa aberta para tomar a 1.ª dose da vacina. Não o fez mais cedo por não ter tido disponibilidade por motivos de trabalho.

Às 15 horas, a fila reduziu significativamente, mas as pessoas que chegavam para a modalidade casa aberta foram informadas de que teriam de esperar até ao final do dia para saber se ia haver vacinas para serem vacinadas.

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Algumas desistiram e as que decidiram aguardar acabaram por receber uma senha devido à falta de comparência de várias pessoas com agendamento. Foi o caso de Maria Fernanda Landeira, de 82 anos, e o marido, António Landeira, de 80, que foram vacinar-se acompanhados pelo filho João Landeira. Ao saber da possibilidade de comparecer nos postos de vacinação sem agendamento, a família decidiu aproveitar. "Ao chegar disseram-nos que há um número muito limitado de vacinas disponíveis ao abrigo do regime casa aberta. E mandaram-nos embora. A casa aberta é um logro. Não vale a pena publicitarem uma possibilidade que, na prática, não funciona. Mais vale manterem os agendamentos", disse João Landeira, acabando, contudo, por conseguir uma senha para vacinar os pais.

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