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Esquerda acusa Passos de posição "dúbia" face a Jardim

Esquerda acusa Passos de posição "dúbia" face a Jardim

O PS considera que Passos Coelho teve uma "posição dúbia" sobre a Madeira ao não retirar o apoio do PSD à candidatura de Alberto João Jardim. Para o PCP, o primeiro-ministro fez "um exercício de cinismo" na entrevista concedida à RTP1 e o BE diz que não avançou "uma ideia" para os actuais desafios do país.

Num comentário à entrevista do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na RTP1, o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, considerou que o chefe do Governo "foi corajoso enquanto primeiro-ministro, ao reconhecer o forte dano que o comportamento de Alberto João Jardim está a provocar mas muito fraco enquanto líder do PSD, porque se sente desconfortável em ir fazer campanha à Madeira, mas fica confortável com o facto de este ser o candidato apoiado pelo PSD".

Para Carlos Zorrinho esta é "uma atitude dúbia" e só retirando o apoio à candidatura de Jardim é que Pedro Passos Coelho "teria autoridade moral para continuar a exigir unidade de todos os portugueses nesta altura de sacrifícios".

O líder parlamentar do PS afirmou ainda que na sua primeira entrevista televisiva, Passos "deixou muito por esclarecer" e deixou "claro que este Governo não tem nenhum programa económico e apenas segue de forma cega e excessiva o memorando da 'troika'".

Exercício de cinismo

Jorge Cordeiro, da comissão política do Partido Comunista, afirmou que o primeiro-ministro fez "um exercício de cinismo" e assumiu uma "atitude de quem está comprometido com os interesses dos grandes grupos económicos" ao mostrar "a intenção de manter o rumo da vida política nacional que condena o País à recessão e ao declínio económico e milhões de portugueses ao empobrecimento".

Para Jorge Cordeiro, as declarações de Passos Coelho sobre a Madeira foram "de circunstância e posicionamentos úteis", mas "o percurso de desgoverno regional [na Madeira] ao longo destes mais de 35 anos é inseparável das responsabilidades do PSD" e "não há nenhum posicionamento táctico de Passos Coelho que iluda esse problema"

Primeiro-ministro sem ideias

João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, considera que o primeiro-ministro não avançou "uma ideia" para responder aos "principais desafios" do País, que são o crescimento da economia e a criação de emprego", e "o que disse foi preocupante".

"Foi anunciar venda ao desbarato das empresas públicas, admitindo vendê-las, se necessário fosse, por apenas um euro, anunciando redução da taxa social única [TSU], que terá como inevitável consequência o aumento do IVA" [imposto sobre o valor acrescentado), enumerou.

Relativamente à situação financeira e política da Madeira, João Semedo entende que o primeiro-ministro e presidente do PSD foi "muito contido", uma vez que "nunca censurou explicitamente Alberto João Jardim e nunca disse que lhe retirava a confiança política".

Para o deputado, Pedro Passos Coelho "não pode lavar as mãos como Pilatos do que o próprio PSD e Alberto João Jardim fizeram ao longo destes anos", insistindo que "a prova dos nove sobre a intenção do Governo e do primeiro-ministro está (...) no que for o plano de resgate de dívida pública da Madeira".

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