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Esquerda aprova adoção gay e alterações à lei do aborto

Esquerda aprova adoção gay e alterações à lei do aborto

Aí está o início da dita agenda fraturante da Esquerda. Tendo o BE, PCP, PEV e PAN como segunda linha de fogo, o PS voltou à carga com os projetos de lei que prometem cavar o já existente fosso entre a Esquerda e a Direita parlamentar.

Esta sexta-feira, a Assembleia da República aprova por maioria a adoção por casais do mesmo sexo e a revogação das alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez. O PSD e o CDS-PP ainda acusaram, na quinta-feira, os socialistas de inverterem as prioridades nacionais. Mas a resposta não se fez esperar. "Habituem-se", ouviu-se do lado do PS.

A adoção gay, que volta pela quinta vez ao hemiciclo, depois de ter sido chumbada pela Direita em janeiro, reúne agora um consenso à Esquerda, após o PCP ter alterado a sua histórica posição contra. Juntam-se ainda os votos dos deputados da Juventude Social Democrata, como Simão Ribeiro e Joana Barata Lopes, que recusam a ideia do referendo sobre esta matéria, defendida pelo ex-líder da JSD, Hugo Soares, em 2013.

Em dúvida fica a aprovação de um projeto do Bloco de Esquerda sobre o mesmo tema, mas que inclui a procriação medicamente assistida (PMA) - matéria sobre a qual os comunistas não concordam, assim como alguns socialistas. A votação desta iniciativa pode indiciar qual será o resultado de um projeto do PS só sobre PMA, que irá a votos na próxima semana.

Já sobre a revogação da taxa moderadora de 7,75 euros aplicada à interrupção voluntária da gravidez e da obrigação de aconselhamento psicológico e social das mulheres que recorram ao aborto está garantida a sua aprovação, mesmo com algumas vozes contra no PS, como o socialista Ascenso Simões.

"Tudo isto demonstra qual é a hierarquia de prioridades do PS. É esta a vossa mundividência. Não têm uma visão para o Mundo. Têm um libreto de opereta", acusou, ontem, a deputada centrista Teresa Caeiro. Uma reação crispada após a coligação PSD/CDS-PP ter visto esvaziado, pela Esquerda, o debate sobre o projeto de resolução que agendaram sobre os compromissos europeus e boicotado o pedido de comemoração do 25 de Novembro [quando este ano se assinala os 40 anos do fim do Processo Revolucionário em Curso], porque a Esquerda faltou em bloco ao grupo de trabalho criado para estudar como poderia ser feito no Parlamento.

"No dia 4 de outubro nasceu um novo quadro parlamentar, em que os direitos das mulheres, a sua dignidade e a proteção da saúde sexual e reprodutiva serão respeitados e reconhecidos, não de forma somente proclamatória ou demagógica mas de forma inteira e limpa e acima de tudo efetiva. Habituem-se", reagiu Susana Amador, uma das 10 vice-presidentes da bancada do PS.

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