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Esquerda "boicota" o 25 de Novembro

Esquerda "boicota" o 25 de Novembro

Só o PSD e o CDS-PP foram à primeira reunião de um grupo de trabalho pela Assembleia da República, por sugestão dos centristas, para assinalar o 25 de Novembro. Todos os partidos à Esquerda rejeitaram comparecer.

O assinalar da data, num ano em que se assinala os 40 anos sobre o fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC), é uma pretensão da Direita e foi sugerida ao presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues, pelo líder da bancada parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, na última conferência de líderes. A coligação PSD/CDS-PP formalizou, depois, essa pretensão.

Ferro Rodrigues alegou, esta quinta-feira, que o Parlamento "é um órgão de grande importância, que não pode preparar em seis dias, a não ser que não lhe dê a devida importância". Daí que tenha decidido criar um grupo de trabalho para estudar e preparar tais comemorações.

Contudo, o presidente da Assembleia da República foi "informado esta manhã, por vários grupos parlamentares, que não iriam enviar nenhum representante" à primeira reunião. O deputado socialista Jorge Lacão, que preside ao grupo de trabalho e esteve presente, foi entretanto mandatado para elaborar um relatório sobre o ocorrido.

O social-democrata Sérgio Azevedo admitiu que ausência de qualquer deputado socialista pode ser sinónimo de que o PS "esteja acorrentado ideologicamente pelo PCP, pelo BE". "Essa situação não só envergonha a democracia como envergonha os fundadores do PS", disse o deputado, após Nuno Magalhães ter lamentado que a ausência do PS, BE, PCP e PEV "envergonha a Assembleia da República".

Em resposta, o líder da bancada do PS, Carlos César, recusou reagir a "exercícios lúdicos, gratuitos, inúteis e quase infantis sobre acontecimentos de relevância nacional".

De referir que a Assembleia Legislativa Regional da Madeira decidiu, por maioria, deixar de assinalar a data que foi comemorada durante muitos anos - durante os mandatos de Alberto João Jardim.