Família

Esquerda pressiona Costa a justificar faltas de pais em casa até à Páscoa

Esquerda pressiona Costa a justificar faltas de pais em casa até à Páscoa

BE, Verdes e PCP entregaram projetos. Confederações de pais garantem que não há soluções para os filhos.

Com todas as atividades de tempos livres (ATL) encerradas, os pais não sabem o que fazer aos filhos a partir de segunda-feira se o Governo não prolongar o regime de apoio que justifica as faltas no trabalho. Os presidentes das confederações de pais (Confap e CNIPE) e da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas consideram "impensável" a suspensão do apoio durante as férias da Páscoa. Os ex-parceiros de "geringonça" também pedem a extensão do apoio e entregaram ações no Parlamento.

"Estou muito preocupada. Não tenho família em Bragança, nem ninguém a quem deixar o meu filho.Vou ter que faltar sem receber ou meter atestado médico. Quero ver como os outros pais vão fazer. Deixam a quarentena, regressam na pior altura", defende Aida Lima, técnica numa IPSS em Bragança.

"Se o objetivo inicial da medida era garantir que as crianças não eram entregues à guarda dos avós, essa prioridade mantém-se", insiste João Oliveira, líder parlamentar comunista. Para o PCP, o prolongamento do apoio apenas para quem tem filhos em creches (até aos 3 anos) "é claramente insuficiente" e, por isso, ontem voltaram a enviar requerimento a interpelar o primeiro-ministro. "Terá de ser uma decisão do Governo", frisa, porque o Parlamento não tem tempo para aprovar medidas até segunda-feira. Já BE e PEV entregaram projetos de lei que preveem o apoio até 9 de abril.

Anteontem, no debate quinzenal, António Costa defendeu que a pausa letiva já estava prevista e que a medida excecional, com um custo de 290 milhões de euros, só deve ser retomada depois da Páscoa. Recorde-se que com a declaração de estado de emergência, tanto ATL como a componente de apoio à família, nas escolas de 1.º Ciclo e Jardins de Infância, estão fechados. O JN interpelou o Ministério do Trabalho, mas não recebeu respostas.

salvar 3.º período

"A necessidade de zelar pelos filhos nas férias mantém-se", insiste Jorge Ascenção, líder da Confap, classificando de "impensável" uma suspensão. Também Rui Martins, presidente da CNIPE, garante que a confirmar-se a suspensão será "uma decisão errada".

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas pede que a assistência não seja interrompida e que os pais possam optar entre o regime de apoio e o teletrabalho ou que o possam conciliar a tempo parcial.

Relativamente ao prolongamento do ensino à distância no 3.º período, Jorge Ascenção considera essencial que as estratégias das escolas sejam uniformizadas. Caso contrário, sublinha na carta enviada ao primeiro-ministro, "teremos o ano letivo seriamente hipotecado". Para a Confap, esta pode ser "uma oportunidade de se repensar o modelo de avaliação"; para a CNIPE, o Governo deve suspender as provas de aferição, adiar os exames do secundário e "fechar este ano letivo com as notas do 2.º período para se começar a preparar o próximo", diz Rui Martins.

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