Conferência dos Oceanos

"Estamos a perder a batalha pela proteção dos oceanos", reconhece Guterres

"Estamos a perder a batalha pela proteção dos oceanos", reconhece Guterres

"Ainda estamos longe daquilo que é preciso ser feito para salvar os oceanos, ainda estamos a perder a batalha pela proteção dos oceanos". O alerta é de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, na conferência de imprensa conjunta com Marcelo Rebelo de Sousa e o seu homólogo queniano, realizada esta segunda-feira. É preciso fazer pressão conjunta junto dos governos, municípios, empresas, comunidade e sociedade em geral para lançar o apelo pela proteção dos oceanos.

As declarações do secretário-geral da ONU marcaram o fim da primeira manhã da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas 2022 (UNOC), que decorre até 1 de julho no Altice Arena, em Lisboa,, e a mensagem que ficou foi de um apelo a mais e melhores ações.

É esse um dos propósitos assumidos desta conferência, garantiu o antigo primeiro-ministro: mobilizar o publico em geral para a preservação do oceano, "porque é claro que as decisões tomadas" não têm sido suficientes, reconheceu Guterres.

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Desde o início do século XX que Portugal tem os oceanos no centro das suas políticas, como lembrou Guterres ao evocar a Expo 98'. Passados tantos anos, esta conferência tem ainda mais proeminência pelo momento que enfrentamos: "Os nossos oceanos estão em estado de SOS", alertou. Os corais estão a morrer, os ecossistemas a serem destruídos e o oceano está a "sufocar" em plástico que desperdiçamos, concretizou.

Numa mensagem que tem um cunho de importância pessoal, como mencionou, Guterres apelou a uma mudança na forma de extração de recursos da terra. "Vivemos num mundo de recursos limitados, mas agimos como se fossem infinitos. Isto tem de mudar", pediu. E todos temos um papel nessa mudança de direção: governos, empresas, comunidades oceânicas e consumidores individuais.

Espero ver progressos nesta conferência, pois "é tempo de parar de negligenciar os nossos oceanos. [Eles] não são um depósito de lixo, não são uma fonte infinita de recursos. São um ecossistema frágil do qual todos dependemos", disse.

Fazer a paz com a natureza

Na conferência de Imprensa, Marcelo Rebelo de Sousa recordou o "regresso a casa" de Guterres e voltou a deixar largos elogios ao antigo primeiro-ministro de Portugal. "Tão corajoso, um lutador permanente pelos oceanos e pela ação climática. Esta conferência é um exemplo do seu compromisso".

É importante construir uma estrada para o futuro e "fazer a paz com a natureza", salientou o presidente da República, considerando, ainda, que "Lisboa pode ser um ponto de mudança". Questionado sobre o que tem feito Portugal pelos oceanos, o chefe de Estado lembrou que, depois da criação da área protegida na Madeira, uma das maiores do Atlântico Norte, Portugal vai criar uma área protegida marítima nos Açores.

"Em matéria de ações climáticas, Portugal tenta sempre estar à frente", seja em energia renovável, seja na proteção dos oceanos.

O presidente da República voltou a saudar o seu homólogo queniano pela organização conjunta da conferência e salientou a cooperação dois países como um exemplo da importância do trabalho conjunto. "Construímos consenso, multilateralismo e temos um abordagem pelo diálogo aberto e diversificado onde [também participam] as diferentes gerações".

Em resposta aos jornalistas, fez saber que, na sua deslocação ao Brasil, além de ter encontro marcado com o presidente incumbente - Jair Bolsonaro -, vai encontrar-se, também, com Lula da Silva, ex-presidente do Brasil e candidato às eleições presidenciais.

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