Ambiente

Estes serviços e aplicações ajudam a evitar o desperdício alimentar

Estes serviços e aplicações ajudam a evitar o desperdício alimentar

Evitar que a comida acabe no lixo - este é o objetivo daqueles que, perante uma realidade menos feliz, criam aplicações, movimentos e serviços para combater o desperdício alimentar. Só em Portugal, estima-se que por ano um milhão de toneladas de alimentos acabe no lixo. Além-fronteiras, os números também não são animadores e apontam para que 931 milhões de toneladas de produtos sejam desperdiçados.

Numa luta que diz respeito a todos, surgem cada vez mais conceitos e alternativas para combater os excedentes. A Economia Circular é várias vezes apontada como uma solução capaz de fazer frente à problemática e presente em vários dos projetos que combatem o desperdício. "Num ciclo económico (tendencialmente) fechado, o desperdício não existe: os bens são reparados e reutilizados em vez de descartados, as matérias-primas provêm da reciclagem em vez da extração, e assim por diante", explica o site Circular Economy Portugal.

Estes são alguns dos serviços disponíveis no nosso país:

1. Share Waste

A aplicação é destinada à reciclagem de resíduos orgânicos. Desde as cascas das batatas, às sobras da cozinha, a ideia é juntar pessoas que queiram reciclar os excedentes com aqueles que fazem compostagem ou que têm animais de quinta.

2. Too good to go

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Com origem na Dinamarca, a Too Good to Go marca a diferença pela surpresa. Com vários parceiros dos mais diversos ramos, desde restaurantes a padarias, os utilizadores podem encomendar uma "magic box". Apesar de escolherem alguns dos parâmetros da encomenda, nunca sabem aquilo que vem dentro da caixa. De acordo com a aplicação, comprar uma "magic box" poupa o mesmo CO2 que é emitido por uma televisão que fique ligada durante dois dias.


3. Phenix

A Phenix liga aqueles que têm excesso, com aqueles que não têm o suficiente. A aplicação aproveita as refeições não utilizadas por restaurantes, mercearias, pastelarias e cafés. Tal como numa feira, mas virtual, são vendidos produtos, com grandes descontos que, de outra forma, iriam para o lixo. Assim, "o comerciante consegue recuperar um pouco mais do que o preço de custo do produto e os utilizadores conseguem um bom negócio", disse Eurico Estêvão, da equipa de comunicação da Phenix em Portugal, ao Público.

4. Fair Meals

A Fair Meals segue as mesmas diretrizes da aplicação anterior, mas oferece descontos maiores, de até 90%, por refeições que já não seriam vendidas. Segundo dados divulgados pela app, na restauração a perda anual de comida que acaba por não ser vendida é de quase 10 mil euros por estabelecimento.

5. Olio

Desde comida a brinquedos, esta aplicação permite que, através de um anúncio, tudo seja doado a alguém que demonstre interesse no produto.

6. Refood

O projeto festeja, este mês, o seu décimo aniversário e define-se de forma simples: o desperdício dos restaurantes é transportado por voluntários até às pessoas mais desfavorecidas e/ou vulneráveis. Até à pandemia, grande parte do sustento da app vinha das doações de restaurantes que, estando de portas fechadas, deixaram de poder contribuir. Atualmente, parte da ajuda vem de hipermercados e de instituições como o Banco Alimentar.


Fora do universo das aplicações, e também pelo combate ao concurso de beleza vegetal, cada vez mais surgem serviços que se valem da praticidade de uma ida ao supermercado. Os descontos estão sempre presentes e a vontade de compromisso com as questões ambientais também.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), onde se inserem as cadeias Aldi, Continente (do grupo Sonae), DIA - Minipreço, El Corte Inglés, Intermarché, Ikea, Jumbo/Pão de Açúcar, Lidl, Novo Horizonte e Pingo Doce, disse estar comprometida com uma "melhoria contínua do desempenho ambiental do setor e o incentivo à transição para uma economia mais circular e de baixo carbono". Mas não é caso único.

1. Caixa Zer0% Desperdício - Continente

Este projeto promove a venda de caixas de 5 quilos com frutas e legumes a 50 cêntimos o quilo e que nem sempre têm uma imagem apelativa para o consumidor comum. Este gesto já valeu ao hipermercado 25 toneladas de frutas e legumes não desperdiçados. Mas não fica por aqui: maçãs e peras dão lugar a fruta desidratada que depois é vendida a 69 cêntimos cada embalagem de 20 gramas, como um snack. Além disso, também há sumos naturais que resultam dessa fruta espremida.

2. Auchan

Também a Auchan Retail Portugal tem contribuído para a diminuição do desperdício alimentar: mais de 600 referências de produtos a granel; Desconto em alimentos que estão perto do fim da validade e uma economia circular. Nesta última é exemplo o bolo de banana vegan, feito a partir de bananas maduras e que já não seriam comercializadas, à venda nas lojas, ou a iniciativa Pão para Culinária, em que o pão do dia anterior é vendido com desconto e aquele que não for dá lugar a pão ralado. Um outro exemplo é o das borras de café, ótimas para fertilizar o solo e como repelentes de pragas, que passam a ser entregues a produtores locais parceiros da marca.

Em parceria com a aplicação Too good to go disponibiliza, ainda, "magic boxes" para onde são encaminhados os excedentes alimentares.

3. Pingo Doce

Só em 2019 o hipermercado evitou que mais de 10 700 toneladas de alimentos fossem desperdiçadas. Os legumes considerados "feios", antigamente deixados nos campos de cultivo pelos produtores, são comprados pelo Pingo Doce e usados para as sopas ou para legumes prontos a utilizar, como acontece com as saladas pré-cortadas. Desde doações a instituições aos artigos depreciados, isto é, próximos do fim da validade, o hipermercado não fica de fora na hora de combater o desperdício alimentar.

4. Lidl

O Lidl está associado ao projeto Realimenta, responsável por doar os excedentes alimentares a quem mais precisa, em cooperação com campanhas como o Banco Alimentar. Além disso, e entre várias medidas aplicadas, o peixe que não é vendido é convertido em ração para animais.

5. Fruta Feia

Segundo a cooperativa, o grande objetivo é "combater uma ineficiência de mercado, criando um mercado alternativo para a fruta e hortaliças "feias" que consiga alterar padrões de consumo". Atualmente, a Fruta Feia está em vários pontos do país e organiza "mercados" semanais onde vende cestas de quatro quilos (3,60 euros) e de oito quilos (a 7,20 euros). Os consumidores devem, antes de comparecer no mercado, fazer a sua inscrição no site. (https://frutafeia.pt/consumidor/register)

6. Unidos Contra o Desperdício

Em Portugal, o movimento, criado em setembro de 2020 junta dez organizações, entre elas a Refood, e promete desenvolver um conjunto de ações ao longo do ano, com o apoio dos seus fundadores.

7. Zero desperdício

Para a associação, o principal objetivo é "reduzir a geração de lixo". O projeto trabalha em rede com várias instituições e visa promover o reaproveitamento de excedentes de alimentos. A marca está ainda inserida no projeto europeu Force - Cities Cooperating For Circular Economy, focado numa abordagem de produção, distribuição e consumo circular, evitando, assim, o desperdício.

8. GoodAfter

A GoodAfter é um supermercado online que vende produtos que, sendo seguros e legalmente comercializáveis, estão a atingir ou já atingiram a sua data de consumo preferencial. Por isso, os artigos que, por esse motivo deixam de ter a sua qualidade assegurada pela marca, são vendidos com descontos até 70%. Mas atenção que não vendem produtos frescos/perecíveis e produtos com data limite de consumo: "consumir até".

O armazém e ponto de recolha estão situados na Rua Dr. Eduardo Santos Silva, 261 Armazém D2, 4200 - 283 Porto.

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