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Estudantes de Medicina partilharam preocupações com Rui Tavares

Estudantes de Medicina partilharam preocupações com Rui Tavares

Numa reunião entre várias associações de estudantes na área da Saúde, no Porto, e o candidato do Livre, Rui Tavares, discutiram-se, esta quinta-feira, medidas para melhorar os rendimentos dos profissionais de saúde e acesso a material necessário para os alunos do Ensino Superior.

O diagnóstico de Francisco Franco Pêgo foi claro. Para o presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) o facto de, em 2020, "os profissionais de saúde terem recebido, em média, menos 2% do seu vencimento face há 20 anos", vai fazer com que "a entrada na formação pré-graduada de estudantes de Medicina nas instituições de Ensino Superior não se reflita na prestação de cuidados de saúde à população porque não existem incentivos".

Rui Tavares respondeu: "A solução óbvia e evidente é deixar de suborçamentar o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Aplicá-la é mais complicado e tem que, evidentemente, depender de um plano plurianual, em que vamos buscar os recursos onde eles estão: Portugal perde, todos os anos, mais de dez mil milhões de euros em evasão e elisão fiscal. Recuperar esses recursos, que dariam para financiar outro SNS, é algo que precisa de uma estratégia de vários fatores".

Nessa matéria, o candidato do Livre explicou que "há coisas que se podem começar a fazer". "Há fundos disponibilizados pela União Europeia no início da pandemia que não estamos a usar e que outros países, mesmo com uma dívida pública maior que a de Portugal estão a usar, e que nos permitiria fazer já os investimentos para a rede de saúde dentária, mental, de cuidados paliativos, ou ajudar o SNS24 numa melhor gestão das urgências", clarificou.

"São coisas que poderíamos estar já a fazer e que valia a pena fazer, enquanto ao mesmo tempo, do lado dos recursos necessários para deixar de suborçamentar o SNS, ir buscar mil ou até dois mil milhões de euros que ainda precisamos para ter a certeza que respondemos a estas questões de remunerar bem os médicos e os outros profissionais de saúde", disse Rui Tavares, lamentando "a enorme emigração de enfermeiros que em Portugal ganham pouco" e "que têm de pagar a formação do seu bolso".

Tradutores no SNS para receber refugiados

Divergindo dos "tópicos mais específicos da área da Medicina", Francisco Pêgo alertou para a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para receber refugiados nos hospitais. "Como vai uma pessoa que não sabe falar português ou inglês, dirigir-se a um médico em Portugal?", questionou, retoricamente, o estudante, mostrando-se também preocupado com a educação para a sexualidade no ensino obrigatório.

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"Defendemos a existência de ferramentas, como por exemplo de tradutores disponíveis no SNS para que estas pessoas não tenham simplesmente uma porta aberta, mas sim que lhes sejam disponibilizadas condições para, apesar das barreiras linguísticas, acederem a cuidados de saúde em Portugal", apresentou Francisco Pêgo.

O tema surpreendeu Rui Tavares, que disse "não estar à espera" que o estudante o trouxesse à discussão, mas admitiu que é uma matéria que lhe "interessa muito".

Reunião com associações de estudantes

O candidato reuniu-se, durante a tarde desta quinta-feira, com associações de estudantes de Medicina, Nutrição, Enfermagem, Medicina Dentária, Psicologia e Farmácia, numa sala cedida pela Escola Superior de Enfermagem do Porto.

"Deram-nos conta de grandes dificuldades em relação à aquisição de material de que precisam para prosseguirem com os seus estudos", revelou Rui Tavares, defendendo a criação de um fundo de apoio ao estudante do Ensino Superior.

A par disso, acrescentou, "tal como na declaração de IRS que todos entregamos, na qual podemos alocar 0,5% para Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), podemos pensar, numa fase experimental, que seja criado, ao lado desse sistema, o tal fundo e que vá crescendo ao longo dos anos e das décadas", verba que serviria para dotar os laboratórios e bibliotecas de material essencial.

"O que o Livre defende é que haja uma espécie de tripé de financiamento do Ensino Superior. Uma parte iria para um fundo estratégico e seria levantada sobre a atividade económica. Isto pode ser feito, por exemplo, através de benefícios fiscais a empresas que façam mecenato académico ou científico, o que significa que as principais interessadas na qualificação da força de trabalho em Portugal, poderiam e deveriam contribuir para ela", clarificou Rui Tavares.

Os outros dois fatores são o Orçamento do Estado e a criação, então, de um fundo de apoio. O objetivo, concluiu, é "abolir as propinas", evitando a desistência de "um terço" dos alunos.

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