Movimento associativo

Estudantes levaram as suas preocupações ao Parlamento

Estudantes levaram as suas preocupações ao Parlamento

A extinção das propinas nas licenciaturas, a fixação do valor das propinas dos mestrados, o aumento do número de camas nas residências universitárias, o apoio a alunos que queiram conciliar os estudos com uma carreira desportiva e o melhoramento do acesso dos estudantes aos cuidados médicos de saúde mental foram algumas reivindicações do movimento associativo estudantil deixadas, esta terça-feira, no Parlamento.

Alunos do ensino secundário ao ensino superior deram voz a milhares de estudantes de todo o país na Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, dirigida pelo deputado Firmino Marques.

A audição online arrancou com o presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Maria Lamas, em Torres Novas. Sérgio Rodrigues chamou à atenção para "fragilidade do movimento associativo estudantil no secundário", dado a associação que representa ser única a existir nesse nível de ensino. A falta de pessoal docente e não docente e de material escolar, as dificuldades no acesso ao ensino superior agravadas pela pandemia são outros dos problemas que destacou.

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Falta apoio psicológico

Os estudantes do ensino superior da Associação Académica de Évora introduziram a questão da falta de apoio psicológico aos estudantes que foi reiterada pelas restantes associações académicas presentes na audição. A Associação Académica de Coimbra pediu uma reflexão sobre a existência de "carreiras duais", ou seja, a aposta no desporto na formação cívica curricular e não só extracurricular.

João Assunção, presidente da associação, deu o exemplo dos cinco estudantes atletas da Universidade de Coimbra que marcaram presença nos jogos olímpicos, entre os quais Catarina Costa, judoca que recebeu o diploma olímpico, o que faz do seu exemplo "uma exceção à regra". "Sem o empenho da universidade de Coimbra e a Associação, estes casos não teriam sucesso porque não conseguiriam equilibrar a carreira desportiva com a curricular", disse. Outra das reivindicações foi o melhoramento dos acessos às pessoas com mobilidade reduzida.

O problema do alojamento

A nível das licenciaturas, os estudantes pretendem eliminar as propinas, sendo essa questão referida por todas as associações. O alojamento dos alunos, tanto a nível de residências de estudantes, como de quartos alugados, foi outras das preocupações gerais das associações.

Nuno Marques, presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, referiu que as residências do seu estabelecimento de ensino "não dão para todos os estudantes". Houve também uma grande subida no preço dos quartos e a procura excede a oferta, o que faz com que muitos estudantes não consigam arranjar quarto, referiu. A mesma preocupação foi apontada por José Pinho, presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.

Nuno Marques refere ainda a falta de materiais como "tripés" nas oficinas, o que faz com que os estudantes tenham de os comprar, para além do elevado valor de propina que têm de pagar. Os estudantes de Medicina Dentária, assim como os estudantes de Direito, referiram que vivem numa realidade semelhante, pois os "encargos financeiros com materiais essenciais aos estudantes superam as propinas", disse João Figueiredo, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina Dentária.

Além dos valores da propina de 1º ciclo, os estudantes das várias associações estão preocupados também com a progressiva extinção dos mestrados integrados e a não limitação do seu valor. A ação social deveria ser repensada, em particular, as bolsas de estudo que não cobrem "os custos reais do ensino superior", argumentou Francisco Pereira da Federação Académica de Lisboa.

Abandono escolar

Estes problemas financeiros refletem-se na elevada taxa de abandono escolar que dizem ter sido agravada pela pandemia. "O fenómeno do abandono escolar nunca foi devidamente estudado ou concretizado", disse Ana Cabilhas, presidente da Federação Académica do Porto. A pandemia também veio chamar a atenção para a falta de investimento na saúde mental dos estudantes, como referiu Francisco Pereira. "Esta semana uma estudante procurou assistência psicológica e apresentaram-lhe uma lista de espera de um ano". Esta preocupação foi geral, tendo as associações académicas presentes exigido uma maior intervenção nesta área por parte do Governo.

A valorização do interior do país e a aposta nas competências de liderança digital foi referida pela Federação Nacional de Estudantes de Economia e Gestão. A inovação pedagógica e a necessidade de "colocar o estudante no centro do processo de aprendizagem, aproximando-o e integrando-o no mercado de trabalho" foram as soluções propostas pela presidente da Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia, Carolina Simão.

Os deputados ouviram as preocupações, mas não fizeram perguntas, considerando que as explicações dadas pelos alunos estavam suficientemente claras, sendo partilhadas por todos.

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