Ensino Superior

Estudantes podem pedir bolsa até ao final de junho

Estudantes podem pedir bolsa até ao final de junho

A Direção-Geral de Ensino Superior (DGES) ainda não recebeu "um boom de pedidos de bolsa" mas o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior (MCTES) alargou até final de junho o prazo para que os estudantes possam pedir apoio.

O objetivo, garantiu ontem o secretário de Estado do Ensino Superior, Sobrinho Teixeira, é evitar desistências num contexto de redução dos rendimentos familiares por causa da pandemia.

O Governo também deu orientações às instituições e à DGES (no caso de os alunos frequentarem escolas privadas) para ativarem mecanismos de emergência.

"Estamos à espera que seja necessário ter de dar algum apoio às instituições e, sobretudo, aos estudantes ao longo destes meses", assumiu Sobrinho Teixeira em entrevista à Fórum Estudante, transmitida ontem em direto na página do Facebook da revista.

O secretário de Estado apelou aos alunos que se vão candidatar ao Ensino Superior para que não façam apenas o exame pedido como específica para a sua primeira opção. Sobrinho Teixeira não escondeu o receio de as limitações aos exames - que este ano apenas contam para ingresso no Superior -, poderem reduzir o número de candidatos.

"Os alunos podem escolher apenas uma prova" para o curso que é a sua primeira opção. Mas o exame "pode não correr bem" e, por isso, apela, devem ver quais as provas pedidas para a segunda e, talvez, terceira opções para garantir o acesso. Interpelado sobre se receia que a crise financeira possa diminuir as candidaturas, Sobrinho Teixeira recordou que o contrato para a legislatura, assinado pelo Governo, universidades e politécnicos, prevê o aumento das bolsas de "70 para 90 mil até final da legislatura, num contexto não Covid. Haverá bolsas. Haverá resposta, candidatem-se", apelou.

Menor carga letiva

O MCTES pediu a universidades e politécnicos planos sobre o regresso às aulas presenciais a partir de segunda-feira. Um retorno que, apesar de faseado e de dar prioridade às atividades práticas, como laboratoriais, deve ser cumprido, para o Ensino Superior ser "um exemplo" para o país, frisou o secretário de Estado. "Muitas instituições readaptaram os seus calendários" para adiarem para junho e julho as avaliações presenciais, explicou.

No caso das escolas de saúde, revelou Sobrinho Teixeira, a possível reabertura está a ser avaliada em conjunto com o Ministério da Saúde. Se a evolução da pandemia continuar de forma positiva, sem exercer excessiva pressão no Serviço Nacional de Saúde, "as atividades normais podem ser retomadas".

No próximo ano letivo, assumiu, o Ensino Superior pode continuar com restrições. Porventura, um misto entre ensino presencial e à distância.

A pandemia, insistiu, pode servir de "abanão". Sendo Portugal, um dos países onde os estudantes têm uma carga letiva semanal "excessiva", Sobrinho Teixeira admite a redução dessa carga letiva e que o ensino possa ser feito com maior recurso a projetos.

"Já foi aberto um concurso com fundos comunitários para que esta nova noção de aprendizagem possa ser implementada", revelou o secretário de Estado.

Acesso de escolas estrangeiras por definir

A Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) está a avaliar como alunos emigrantes, que vivam por exemplo no Reino Unido ou França que suspenderam este ano os exames nacionais, ou que frequentem escolas estrangeiras em Portugal, possam candidatar-se ao concurso nacional de acesso. A solução deve ser anunciada na próxima semana, garantiu ontem o secretário de Estado, Sobrinho Teixeira. O principal objetivo é assegurar um modelo justo e que garanta equidade entre os candidatos.