Saúde

Estudo alerta: há substâncias nocivas nos protetores solares para crianças

Estudo alerta: há substâncias nocivas nos protetores solares para crianças

Foram identificados 29 ingredientes em 71 protetores solares infantis que podem ser nocivos para as crianças, segundo um estudo francês. Saiba o que deve ter em atenção na hora de comprar.

Os 29 ingredientes químicos identificados podem afetar o sistema hormonal, o metabolismo e o crescimento das crianças, assim como causar problemas de fertilidade e alergias, alerta um estudo do Laboratoire National de Métrologie et d'Éssais.

Estas substâncias - utilizadas como conservantes, filtros solares, para perfumar ou tornar mais cremoso - foram encontradas em 71 produtos analisados (39 cremes/loções/leites e 32 sprays), entre março e maio de 2020, de diversas marcas à venda em farmácias, supermercados e lojas bio, com os preços a variarem entre os 8 euros e os 26,95 euros.

"Nove destes produtos contêm uma mistura de mais de dez ingredientes preocupantes", alerta o estudo.

Em três protetores solares foram encontradas "nanopartículas [de substâncias] que não estão identificadas no rótulo" e que, por serem microscópicas, podem entrar na circulação sanguínea. São eles o Anthelios SPF 50+ Leite Bebé (La Roche-Posay) com dióxido de titânio; Nivea Sun Kids Protect & Play Sensitive 50+ formato viagem com sílica e o creme solar 50+ para crianças dos Laboratórios de Biarritz-Alga Maris com dióxido de titânio e óxido de zinco.

As conclusões foram reveladas por duas organizações não governamentais - WECF (Women Engage for a Common Future) e Agir pour l'Environnement - que exigem que estas "substâncias extremamente preocupantes" desreguladoras do sistema endócrino (hormonal), nanopartículas e ingredientes que dão perfume e têm potencial alergénico sejam banidas, principalmente dos produtos para crianças, que por terem as defesas em desenvolvimento são ainda mais vulneráveis à sua exposição.

Exigem ainda à Comissão Europeia que regulamente sobre as 28 substâncias conhecidas ou suspeitas de afetarem o sistema hormonal que são utilizadas em cosméticos.

Susana Fonseca, da associação Zero, disse ao "Expresso" que "substâncias como o dióxido de titânio são consideradas cancerígenas quando inaladas".

É por isso que o dermatologista Paulo Lamarão, também em declarações ao semanário, desaconselha "o uso de sprays em crianças, 'pela possibilidade de aerossolização e inalação". E recomenda que crianças até aos seis meses não devem ser expostas diretamente ao sol nem usar protetores solares.

Outros cuidados já conhecidos é evitar a exposição nas horas mais críticas (entre as 11 horas e as 17 horas), usar chapéu, óculos escuros e roupas largas. Quanto ao protetor solar, o estudo francês sugere que se escolham produtos sem os ingredientes considerados "extremamente preocupantes" e renovar a aplicação do creme com índice mínimo de 50 a cada duas horas.

Os 71 produtos analisados, destinados a crianças e na maioria com fator 50+, pertencem às marcas Vichy, Uriage, SVR, SUN, Praia, Nivea, Mustela, Mixa, Lovea, Lancaster, Klorane, Isdin, Garnier, Eurecin, Dermathern, Daylong Laboratoire Galderma, Cosmo, Corine de Farme, Cien, Cattier, Biosolis, Bioregena, Bioderma, Biarritz, Biafine, Avene, Attitude, Anthelios, Alphanova, A-Derma Protect, Acorelle.

As substâncias "extremamente preocupantes, a proibir" são: 4-MBC methylbenzilidene camphor (enzacameno); BHT (di-terc-butil metil fenol ou hidroxitolueno butilado); Cyclohexasiloxane ou D6 ou dodecamethylcyclohexasiloxane (silicone); Cyclopentasiloxane ou D5 ou Dodecamethylcyclopentasiloxane (decametilciclopentasiloxano); titanium dioxide (dióxido de titânio); Ethylhexyl methoxycinnamate ou octylmethoxycinnamate (OMC) ou octinoxate (Metoxicinamato de octilo, nomes comerciais Eusolex 2292 e Uvinul MC80); Homosalate; Octocrylène; zinc oxide (óxido de zinco) e Phénoxyéthanol (Fenoxietanol).

Outras substãncias "muito preocupantes, a evitar por precaução" são: Benzyl alcohol (Álcool benzílico); Bis-Ethylhexyloxyphenol Methoxyphenyl Triazine; Butyl Methoxydibenzoylmethane (Avobenzona); Diethylhexyl Butamido Triazone (iscotrizinol); Dioxyde de titane (dióxido de titânio); MBBT - methylene bis-benzotriazolyl tetramethylbutylphenol (Bisoctrizole); Oxyde de zinc (óxido de zinco).

Substâncias preocupantes: Chlorphenesin (Clorfenesina); Diethylamino Hydroxybenzoyl Hexyl Benzoate (benzoato de dietilamino-hidroxibenzoil-hexil); Drometrizole Trisiloxane (Meroxyl XL); Ethylhexyl salicylate (salicilato de octilo); Ethylhexyl triazone ( etilhexil triazona); polyethylene glycol (polietilenoglicol); Phenylbenzimidazole Sulfonic Acid (Ensulizole); Sodium laureth sulfate (laureth sulfato de sódio); Terephthalylidene Dicamphor Sulfonic Acid (Ecamsule).

Pode consultar o estudo na íntegra aqui.

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