Pandemia

Eurodeputado do PS propõe cheque de mil euros para cada europeu

Eurodeputado do PS propõe cheque de mil euros para cada europeu

O eurodeputado do PS, Pedro Marques, sugere que a União Europeia atribua um cheque de mil euros a cada desempregado, idoso ou pessoa com filhos como a melhor forma de garantir que os fundos de recuperação forneçam o estímulo "necessário" às economias de cada estado-membro, à semelhança do que os Estados Unidos estão a fazer.

"A UE deve enviar um sinal forte aos governos nacionais de que devem continuar a apoiar as suas economias e garantir que o dinheiro da UE chega ao destino pretendido numa questão de meses e não de anos", escreve o antigo ministro num artigo de opinião.

Pedro Marques defende que "os pagamentos diretos" não resolverão tudo, mas permitirão injetar dinheiro na economia de uma forma mais célere. "O bloco fez história no ano passado com o seu acordo histórico de recuperação. Certamente, pode fazê-lo novamente desta forma mais pequena, mas igualmente crucial", argumenta o cabeça-de-lista dos socialistas nas últimas eleições europeias.

Para o antigo governante, "a UE precisa de mobilizar mais recursos no terreno agora mesmo e não a longo prazo" e "assegurar que as empresas mantenham postos de trabalho e continuem a ter clientes, particularmente quando os esquemas de despedimentos apoiados pelo governo cessarem". O que significa, portanto, que é necessário "um forte pacote de estímulo que energize a economia de imediato".

Pedro Marques traça uma comparação entre o pacto de recuperação da UE e o dos Estados Unidos como resposta à crise provocada pela pandemia: "O pacote - que totaliza cerca de 9% do PIB da UE - é comparável em dimensão ao pacote inicial de recuperação elaborado pelo governo dos Estados Unidos, que mobilizou uma soma equivalente a 10% do seu PIB".

No entanto, "as comparações favoráveis terminam aí", defende. "Enquanto a UE ainda está a tentar descobrir como desbloquear o dinheiro acordado para que possa finalmente ser desembolsado, Washington avançou muito. O último pacote de estímulo do Presidente dos EUA Joe Biden - o Plano Biden - é a terceira lei de estímulo do governo e aumenta o apoio federal à economia para mais do triplo da resposta europeia", observa.

Pedro Marques considera que também existe "uma diferença acentuada na ambição das respostas dos EUA e da UE". E a resposta norte-americana não é apenas "muito maior", como "atingiu a economia real muito mais rapidamente".

PUB

"Isto porque grande parte do seu estímulo tomou a forma de pagamentos diretos às famílias, enquanto outras medidas tiveram um impacto imediato no rendimento dos cidadãos e, como resultado, na procura. O cheque de estímulo de 1.400 dólares que cada adulto deverá receber ao abrigo do Plano Biden será o terceiro cheque deste tipo que terão podido levantar desde o início da pandemia", argumenta.

Pelo contrário, na Europa, "não só as transferências diretas para os cidadãos parecem ser um tabu, como as regras são concebidas de forma a evitar que a maior parte do dinheiro de recuperação seja utilizado no terreno agora, quando é indiscutivelmente mais necessário".

Como resultado, "a OCDE estima que as medidas de recuperação tomadas pelos EUA terão um impacto positivo de 3,8% do PIB durante os próximos 12 meses, a partir de abril", enquanto na UE calcula um impacto entre 0,5% e 1% do PIB. E para "piorar a situação, as projeções mostram que o nível de apoio europeu à economia pode muito bem revelar-se insuficiente".

"Mesmo que o Banco Central Europeu tenha sido rápido e ousado na sua resposta à crise (e mesmo que haja mais que possa fazer nos próximos meses), a política monetária tem os seus limites. E quando se trata de política fiscal, a UE está a ficar aquém das expectativas", escreve o ex-ministro do Planeamento e das Infraestruturas do Governo de António Costa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG