Migrantes

Eurodeputado do PSD Álvaro Amaro ataca "a Marisa demagógica"

Eurodeputado do PSD Álvaro Amaro ataca "a Marisa demagógica"

Álvaro Amaro, eurodeputado do PSD, respondeu às acusações da bloquista Marisa Matias devido ao chumbo de uma resolução de apoio aos migrantes do Mediterrâneo, acusando-a, por sua vez, de ser "demagógica" e de ter "a consciência pesada".

Numa carta aberta, o social-democrata começa por recordar a postura da eurodeputada do BE de "alguma moderação na defesa dos seus ideais". "Ainda na última campanha para as eleições europeias, isso foi bem notório. Era a Marisa tranquila, no meio de tanta demagogia bloquista", escreveu.

"Eis senão quando aparece a Marisa, demagógica e com a consciência política seguramente muito pesada, pelo facto do seu camarada José Gusmão ter estado ausente de uma determinada votação, ao qual acrescem mais quatro eurodeputados da sua própria bancada, que também estiveram ausentes", ataca Álvaro Amaro.

Em causa está a denúncia lançada por Marisa Matias, depois amplamente partilhada nas redes sociais, de que três eurodeputados portugueses, designadamente Nuno Melo, do CDS; Álvaro Amaro e José Manuel Fernandes, do PSD, inviabilizaram uma resolução que previa o reforço das políticas de salvamento de vidas no Mediterrâneo. Os dois primeiros esclareceram que votaram contra a resolução por não incluir posições do Partido Popular Europeu, acusando a Esquerda de também ter chumbado uma proposta daquele grupo. José Manuel Fernandes absteve-se na votação.

Na carta aberta a Marisa Matias, que publicou quinta-feira no Observador, na rubrica de opinião, Álvaro Amaro escreve que a deputada europeia "resolveu criar notícia e tentar intoxicar a opinião pública com mentiras e falsidades sobre os seus colegas eurodeputados pertencentes a outras bancadas partidárias que não a sua e que, por isso e logicamente, pensam de forma diferente".

"Veja só: a resolução do PPE, que votei a favor e a Marisa contra, diz por exemplo, assim: 'Reitera a obrigação decorrente do direito internacional do mar de prestar assistência a pessoas em perigo', instando ainda 'os estados-membros e a Frontex a intensificarem os seus esforços de apoio às operações de busca e salvamento no Mediterrâneo' e exortando 'todos os intervenientes no Mediterrâneo a transmitirem às autoridades competentes quaisquer informações relativas a pessoas em perigo no mar'. E como votou a Marisa? Contra... Votou contra! Significa isto que é contra o salvamento? Contra a obrigação decorrente do direito internacional do mar de prestar assistência a pessoas em perigo? Contra os estados-membros e a Frontex intensificarem os seus esforços de apoio às operações de busca e salvamento no Mediterrâneo?", questiona o eleito do PSD.

Álvaro Amaro pergunta, por isso, a Marisa Marisa "se as operações de busca e salvamento só valem se forem propostas pela Esquerda política" e defende que, "na política, não deve valer tudo".

Na sequência do chumbo das quatro resoluções no Parlamento Europeu estão marcadas para esta sexta-feira, às 18 horas, duas manifestações, uma no Porto e outra em Lisboa.