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Exame de História com perguntas de escolha múltipla "confusas"

Exame de História com perguntas de escolha múltipla "confusas"

As perguntas de escolha múltipla no exame de História A "eram confusas" e foram o principal problema relatado pelos alunos que, esta quarta-feira de manhã, realizaram a prova que dá acesso a alguns cursos do Ensino Superior.

"A escolha múltipla tinha ratoeiras, com opções de resposta muito semelhantes", afirmou João Pereira, à saída da Escola Secundária Alberto Sampaio, em Braga.

Aluna da mesma escola, Inês Silva concordou que "havia perguntas de escolha múltipla confusas". "Sou aluna de 18 valores a História e não estou confiante numa boa nota. Os exames dos últimos anos foram muito mais fáceis", referiu a estudante, que precisa da prova de História ou Geografia para entrar no curso de Arqueologia.

Houve quem criticasse, também, as cotações, como Ana Azevedo e Diana Neto, que entendem que as questões de desenvolvimento "deveriam valer mais do que as de escolha múltipla". "E havia 10 itens obrigatórios, muito mais do que no ano passado", lamentaram.

Critérios de classificação criticados

A Associação de Professores de História (APH) concorda com a posição dos alunos sobre os critérios de classificação. Numa nota enviada ao JN, Mariana Lagarto e Miguel Monteiro de Barros esclarecem que, desde 2018, os docentes têm vindo "a contestar" o modelo junto do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).

"Repetidamente temos afirmado que a igual valoração atribuída aos itens de seleção e aos itens de composição (de construção curta, restrita ou extensa) não faz jus à especificidade do conhecimento histórico", sublinham, lamentando que o cenário se tenha repetido este ano.

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"Verifica-se que, mais uma vez, os itens de composição, nomeadamente a questão de desenvolvimento (questão 3 do grupo III), se encontram subvalorizados, tendo em conta as competências mobilizadas e o tempo necessário para os alunos construírem as suas respostas", entendem Mariana Lagarto e Miguel Monteiro Barros, sublinhando que as perguntas de desenvolvimento requerem "análise de fontes históricas escritas ou iconográficas e a consequente produção do texto".

"Esta operação torna-se mais complexa nos itens de comparação/cotejamento de fontes históricas com perspetivas diversas ou no item de desenvolvimento, que implica a produção de uma resposta fundamentada na análise de três ou quatro fontes, no que respeita à prova de História A", acrescentam.

Comparando com a prova de Português, com um item de produção de texto cotado com 44 pontos - enquanto em História vale 20 pontos a mais extensa -, a APH fala em "discriminação". "Porque é que se reconhece uma especificidade para o conhecimento das línguas que não se reconhece para o conhecimento histórico? Estaremos a assistir a uma categorização das disciplinas? Estaremos a regressar a uma hierarquização, que críamos ultrapassada, entre disciplinas de primeira e de segunda categoria?", questionam os docentes.

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