Educação

Exames decorreram com normalidade em dia de greve

Exames decorreram com normalidade em dia de greve

Esta quarta-feira realizaram-se provas de aferição do 2.º ano de escolaridade do Ensino Básico e os exames nacionais do 11.º ano. Apesar da greve dos professores, os serviços mínimos garantiram a normalidade das provas.

Estavam marcadas as provas de aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano de escolaridade do Ensino Básico e os exames nacionais do 11.º ano de Física e Química A, Geografia A e História da Cultura e das Artes.

A paralisação, para a qual foram decretados serviços mínimos, foi convocada Federação Nacional dos Professores (Fenprof), e pela Federação Nacional da Educação (FNE), para reivindicar a abertura de concursos de vinculação extraordinária para docentes contratados, um regime especial de aposentação, o descongelamento de carreiras e uma redefinição dos horários de trabalho.

A greve dos professores não se fez sentir numa das maiores escolas secundárias de Braga, onde os exames nacionais estão a decorrer "com normalidade", confirmou à Lusa a diretora do agrupamento escolar Carlos Amarante. "Os alunos entraram para as salas de aula normalmente, os professores compareceram, está tudo a decorrer com normalidade", disse Hortense Santos.

O ambiente à porta da escola Carlos Amarante é o "normal nestes dias", segundo comentaram os funcionários: "Nada de especial, os pais trouxeram os alunos, outros vieram sozinho, todos com papeis na mão, conversadores como sempre", disse uma das funcionárias.

Na secundária Clara de Resende, no Porto, onde as greves de funcionários públicos e de professores costumam ter impacto no seu normal funcionamento, a paralisação dos professores não se fez sentir, cumprindo-se todos as provas programadas, quer os exames do 11.º como a prova de equivalência do 9.º ano.

Mesmo antes do toque que marcou o início das provas, às 09.30 horas, a diretora da escola, Rosário Queirós, afirmou à Lusa que a greve dos professores não afetaria os exames marcados, porque "os serviços mínimos que o Ministério da Educação propôs" é o que o estabelecimento de ensino "tinha [programado já] para uma situação normal".

Depois do início das provas, Rosário Queirós confirmou que "tudo correu normalmente", com a realização de todos os exames, com a presença de dois professores por sala.

Na EB1 de Carlos Alberto, na Baixa do Porto, onde se realizou a prova de aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano de escolaridade, professores e alunos iam chegando à hora marcada para um dia normal de aulas. A alegria com que a assistente Domítila dava as boas-vindas contagiava e acalmava os alunos do 2.º ano de escolaridade, mais preocupados com a prova de matemática.

Nesta escola estavam inscritos 19 alunos para a prova de aferição.

No Agrupamento de Escolas de Benfica, em Lisboa, está decorreu dentro da normalidade, segundo o diretor Manuel Esperança. "Neste momento estão 73 professores ao serviço para dar resposta às 25 salas que estão a funcionar", adiantou. Na secundária estão 196 alunos a realizar exames de Física e Química A, Geografia A e História da Cultura e das Artes.

Já nas escolas do primeiro ciclo Pedro Santarém, Jorge Barradas e Arquiteto Ribeiro Teles estão 166 alunos a realizar as provas de aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano de escolaridade

Manuel Esperança contou que, "para evitar situações de algum apuro", convocou na sexta-feira todos os professores do agrupamento (cerca de 214).

"Fiz a convocatória normal para o serviço de exames, que são 73, respeitando a regra de dois professores por sala e não respeitei o que está previsto, que é não convocar suplentes, porque não sabia se os professores que convoquei compareciam", adiantou.

Na Escola Secundária José Gomes Ferreira, "a partir do momento em que eu vi que os serviços estavam assegurados pelas pessoas que convoquei para o efeito fui à sala dos professores informar os meus colegas e dispensei-os para realizarem outras tarefas", acrescentou.

Manuel Esperança disse não compreender as razões da greve por discordar que "se utilize uma forma de luta neste período de exames, porque os próprios miúdos ficam nervosos com esta situação".

"Não devemos de maneira nenhuma pôr em cheque ou utilizarmos como moeda de troca os alunos porque temos muito respeito por eles", defendeu.

A greve dos professores também não afetou a realização dos exames nacionais nas escolas secundárias do Algarve, disse à agência Lusa a coordenadora regional do Sindicato dos Professores da Zona Sul.

De acordo com Ana Simões, "os exames estão a decorrer com normalidade nas escolas do Algarve, não havendo conhecimento de quaisquer impedimentos devido à greve dos professores".

A dirigente sindical indicou que "essa normalidade decorre ao facto de estarem assegurados os serviços mínimos".

Ana Simões acrescentou que os efeitos da greve "podem, eventualmente, fazer-se sentir durante a tarde, com a não realização das reuniões de avaliação agendadas para esse período".

A greve dos professores não afetou a realização das provas de aferição e dos exames nacionais na Madeira e decorreram normalmente em todas as escolas da região autónoma, informaram o Governo Regional e o sindicato do setor.

"Como já sabíamos e como não poderia ser de outra forma, o serviço de exames e provas globais não está a ser afetado, disse o coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM), Francisco Oliveira, vincando que a partir do momento em que foram decretados serviços mínimos "era impossível não se realizarem exames".

O Governo Regional elogiou, por seu lado, o "brio e a responsabilidade" dos professores da região autónoma, o que permitiu que "todos os alunos pudessem efetuar as suas provas".

Os exames nacionais estão a decorrer normalmente nas escolas de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, apesar da greve nacional dos professores.