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Excesso de mortalidade em Portugal foi quase o dobro da média europeia em julho

Excesso de mortalidade em Portugal foi quase o dobro da média europeia em julho

Espanha registou a taxa mais elevada da União Europeia, mas Portugal continuou a aumentar a mortalidade em excesso face aos meses anteriores. Temperaturas altas de julho ajudam a explicar excesso de óbitos.

Espanha destronou Portugal em termos de excesso de mortalidade no mês de julho, mas ainda assim os números continuaram a aumentar e Portugal registou quase o dobro da média da União Europeia. Os valores foram esta sexta-feira divulgados pelo Eurostat e podem ser explicados, em parte, devido à onda de calor que atingiu a Europa.

De acordo com as estatísticas, Portugal - que nos meses de maio e junho havia liderado a lista de países com mais excesso de mortalidade (com taxas de 24,2% e 19,2% respetivamente) - caiu para quarto lugar em julho. Apesar disso, naquele mês Portugal apresentou uma taxa de excesso de mortalidade superior, com 28,8%, quase o dobro da média da União Europeia a 27, que foi de 15,8.

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Em julho, Espanha foi dos países que integram a União Europeia a 27 aquele que registou a taxa mais elevada: 36,9%. Seguiu-se Chipre (32,9 %), Grécia (31,2 %), Portugal (28,8 %), Malta (26,4 %), Itália (24,9 %), Áustria (17,5 %), Eslovénia (16,5 %), Irlanda (16,3%) e Alemanha (15,2%).

A Comissão Europeia explica que, em "julho de 2022, a taxa de mortalidade na UE aumentou em relação ao mês anterior, para 15,8% do número médio para o mesmo período de 2016-2019 (era 7,4% em junho)", o que representa "cerca de 53 000 mortes adicionais em julho de 2022".

Ondas de calor

O valor é considerado "excecionalmente alto", acrescenta aquele organismo, lembrando que a taxa de mortalidade em excesso foi de 3% em julho de 2020 (10 000 mortes em excesso) e 6% em julho de 2021 (21 000 mortes em excesso). "Com base nas informações disponíveis, parte do aumento da mortalidade em julho de 2022 em relação ao mesmo mês dos últimos dois anos pode ser devido às ondas de calor que afetaram partes da Europa durante o período de referência", considera a Comissão Europeia.

Em julho a Direção-Geral da Saúde havia referido que Portugal registou um excesso de mortalidade devido à onda de calor que atingiu o continente, contabilizando que, por exemplo, entre dias 7 e 13, isso tenha correspondido a 238 óbitos.

Em Espanha, o calor extremo terá sido responsável por 2 124 mortes no mês de julho. O Instituto de Saúde Carlos III apontou aquele como o valor mais alto dos últimos sete anos. Foi notícia o caso de um funcionário municipal de limpeza, com 60 anos, que morreu na sequência de uma insolação sofrida quando limpava uma rua em Puente de Vallecas, Madrid.

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