Conselhos úteis

Fadiga pandémica

As nossas vidas pessoais e profissionais mudaram radicalmente. Estamos a enfrentar a realidade de que a nossa vida poderá nunca mais voltar ao velho normal. Como profissionais de saúde, ficamos impressionados com a forma como a nossa profissão se adaptou a esta nova ordem.

A ânsia inicial de desempenhar o nosso papel nesta crise, de fazer a diferença, vem sendo substituída por uma enorme fadiga. Essa fadiga não é sentida apenas por aqueles que trabalham em turnos com tratamento direto dos doentes, mas também (e às vezes mais) por aqueles que trabalham nos bastidores, que trabalham em frente a um computador o dia todo como na Saúde Pública ou nos gabinetes de decisão estratégica.

Os que trabalham na linha da frente têm o risco de exposição, o trabalho encouraçado por baixo daquela panóplia de máscaras, viseiras, fatos, cobre-botas - meia hora para colocar EPI meia hora para tirar EPI. Tentar criar empatia com quem só vê olhos e fatos de astronauta. A luta entre a vida e a morte e a alegria da alta para casa.

O trabalho nos bastidores também aumentou em quantidade e intensidade. Não há intervalo entre uma reunião virtual e a outra. Não há pausas, justificadas pela toma do café horrível da máquina, mas que justificava aquelas pausas e conversas casuais com os colegas. O tempo de inatividade desapareceu.

As reuniões começam de chofre - não há tempo para oferecer um café, uma amenidade. Ficamos imediatamente presos a um ecrã. Às vezes, vemos rostos, outras vezes não - vemos ecrãs sempre em mudança. Alguns estarão lá, mas não os vemos nem ouvimos. Conversas paralelas em chat. Há sempre aquele que atende o telefone com o microfone ligado, ou a criança ou o cão que invade a reunião.

Esta pandemia é uma maratona, não um sprint. Para a equipa que trabalha na linha da frente, a vida tem de funcionar em regime de turnos. Deve haver limites de trabalho bem definidos com tempo para descansar. Deve-se aproveitar o tempo fora do trabalho para descansar.

Quem trabalha nos bastidores, em escritório ou em casa em regime de teletrabalho, deve lembrar-se de manter disciplina no trabalho e de saber obrigar-se a ter pausas. O descanso torna-nos mais eficientes e produtivos. Lembre-se, isto é uma maratona.

Estamos a assistir a um abrandamento do número de casos, já nos pedem para recuperar as listas de espera. Preparamo-nos para a segunda ou várias outras ondas. Qualquer que seja a sua situação como profissional de saúde - lembre-se da regra para correr uma maratona. Manter um bom ritmo, respirar, hidratar e descansar.

Pneumologista