Poluição

Falhas na recolha adiam análises na Celtejo

Falhas na recolha adiam análises na Celtejo

Os inspetores do Ministério do Ambiente confirmaram, esta segunda-feira, de que houve atrasos na recolha de análises às descargas da Celtejo, no âmbito da investigação à poluição no rio Tejo.

Em conferência de imprensa, a Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) informou que só para a semana será possível conhecer os resultados das análises da Celtejo, de onde partem 90 % das descargas da indústria da pasta de papel.

Nuno Banza, inspetor geral, do IGAMAOT, justificou com "constrangimentos inusitados" as dificuldades da recolha da amostragem realizada na Celtejo. O responsável negou-se a adiantar explicações concretas para o sucedido, lembrando que o Ministério Público tem em andamento um inquérito.

"Já tínhamos recolhido muitas vezes amostras com aquele tipo de coletor, mas, desta vez, o coletor não tinha líquido no interior", adiantou o inspetor. Acrecentou que na segunda tentativa, o sistema voltou a falhar e os recipientes tinham apenas alguma espuma e que só à terceira, depois de alertada a GNR para vigiar o local, foi possível proceder à recolha de amostras durante 24 horas.

Nuno Banza informou ainda que as análises feitas já à ETAR de Mação não revelaram resultados fora dos parâmetros recomendados. O mesmo aconteceu nas amostras da Navigator e Paperprime.

A ETAR de Abrantes apresentou, segundo os inspetores, valores acima do recomendado, embora em níveis que não explicam o nível de poluição detetado.

"Não consideramos os incumprimentos expressivos" na ETAR de Abrantes, advogou o inspetor-geral da IGAMAOT,

O incumprimento na ETAR de Abrantes verificou-se nos parâmetros de "sólidos suspensos totais, cujo limite é de 35 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 55 mg/l, carência bioquímica de oxigénio, cujo limite é de 25 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 33 mg/l, e carência química de oxigénio, cujo limite é de 125 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 143 mg/l".

As análises realizadas pela IGAMAOT realizaram-se a partir do dia 24 de janeiro, após o alerta da presença de espuma no açude de Abrantes, referiu o inspetor-geral Nuno Banza, indicando que foram isolados os alvos com maior risco de poderem estar na origem da ocorrência deste fenómeno de poluição no rio Tejo.

No troço do rio Tejo entre Perais e Abrantes, foram identificadas quatro ETAR urbanas nos concelhos de Abrantes e de Mação e ainda três unidades industriais, designadamente Celtejo, Paper Prime e Navigator.

As unidades industriais Paper Prime e Navigator cumprem os valores a que estão obrigadas, avançou o responsável

Está a decorrer um inquérito judicial em Castelo Branco, que tenta apurar as causas da poluição que se tem notado do rio Tejo, incluindo as falhas na recolha de análises.

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