O Jogo ao Vivo

Algarve

Falta de interdição de arribas impede multas

Falta de interdição de arribas impede multas

A Polícia Marítima não passou qualquer multa na última época balnear por permanência sob arribas no Algarve porque, como explicou ao JN o responsável pela Autoridade Marítima do Sul, comandante Paulo Isabel, "não há nenhum caso assinalado como arriba interdita na costa algarvia".

O responsável destaca que a atuação da Polícia Marítima tem sido mais dirigida para a prevenção e que, no geral, "as pessoas acatam bem" os conselhos para se afastarem de áreas perigosas.

"Só poderíamos elaborar um auto direto em arribas interditas. Como não há, limitamo-nos a aconselhar as pessoas a mudar de sítio. Normalmente, pelo menos na presença dos agentes, acatam", explica o responsável, salientando o esforço que foi feito para aumentar as áreas de praia", o que, só por si, "já tende a afastar as pessoas das zonas de perigo".

Toda a costa foi vistoriada e alvo de intervenções por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) durante o inverno e, de acordo com o seu diretor regional, foram corrigidas as situações que apresentavam perigo. Recorda, no entanto, que os desmoronamentos são fenómenos naturais, que, muitas vezes, acontecem sem dar qualquer sinal prévio e que a solução mais eficaz para evitar acidentes "passa pela consciencialização de cada um", ou seja, permanecer afastado
das zonas de influência das arribas"

Já este verão, nos últimos dias de junho a natureza deixou um sério aviso na praia D. Ana, em Lagos, onde um bloco de cinco metros cúbicos caiu sobre o areal, quando neste estariam cerca de 300 pessoas. Não houve feridos, porque ninguém estava na zona de segurança, definida pela APA como 1,5 vezes a altura da arriba.

Quando na memória de todos está ainda o trágico acidente que, no verão de 2009, matou cinco pessoas de uma família do Norte, no seu último dia de férias, na praia Maria Luísa, em Albufeira, as medidas preventivas são encaradas com especial cuidado.

Olhando apenas para a estatística, poderia concluir-se que o último inverno foi especialmente rigoroso. Isto porque a média de desmoronamentos por ano é de 14 casos. Este ano, foram registados 21.

PUB

"Só que, destes, oito aconteceram num só dia no concelho de Albufeira, um episódio extremo, que fez com que em oito horas chovesse o equivalente a 25 % da precipitação média anual", explica Sebastião Teixeira.

O responsável chama a atenção ainda para o caráter de antecipação do que foi este inverno: "O que se passou é o que vai ser normal daqui a 50 anos. Menos chuva, mas que, quando aparece, pode originar fenómenos extremos destes".

Apesar das intervenções ao longo da costa, Polícia Marítima e APA concordam num aspeto: "Evitar acidentes começa pela própria pessoa". "A queda faz parte da evolução natural das rochas que enquadram as praias da região. Por isso, nada como ter cuidado"

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG