Violência doméstica

Família da portuguesa morta pelo marido na Suíça já esperava o pior

Família da portuguesa morta pelo marido na Suíça já esperava o pior

Irmão conta que Florinda era vítima de violência doméstica desde que se casou. Foi esfaqueada e morta na rua. Os filhos já esperavam o pior.

A emigrante portuguesa de 51 anos que foi morta à facada alegadamente pelo marido, também português, este sábado, em Lucerna, Suíça, era "vítima de violência doméstica desde que se casou", afirmou, ao JN, Fernando da Anunciação, irmão da vítima.

"Ele sempre foi um monstro", acusa, confessando que a família já esperava o pior, face ao histórico de agressões de que a irmã era vítima. "Já tinha ido ao hospital com braços partidos, cabeça rachada, entre outros ferimentos". Até "tinha alertado os filhos" para este desfecho trágico, diz.


Florinda Ferreira, natural de Chaves, esteve várias vezes num centro de acolhimento para vítimas de violência doméstica, mas, "por medo dele", regressava a casa passados dois a três dias, explica Fernando da Anunciação. Recentemente, Florinda foi operada ao coração e, após a cirurgia, foi viver com a filha.

O afastamento do marido, Domingos, com quem estava casada há 30 anos, não foi, no entanto, suficiente para acabar com os casos de violência. Este sábado de manhã, foi encontrada numa rua de Lucerna, já sem vida. Terá sido esfaqueada após uma discussão entre o casal em frente ao restaurante onde a portuguesa trabalhava, nas imediações da estação de Gasshof.

Domingos, de 57 anos, encontra-se detido e, segundo um comunicado da polícia local, o Ministério Público está a investigar o caso.

Florinda Ferreira emigrou para a Suíça com o marido há cerca de 30 anos. Tinha dois filhos e uma neta. Também a filha vivia em aflição face à violência de que a mãe era vítima. "Lutaste muito na vida... Chegou aquela hora que nós não queríamos que chegasse, aquela hora de que tanto medo tínhamos! A dor grande fica, mas o teu sofrimento acabou!", lamentou.

O corpo de Florinda Ferreira está à guarda do Ministério Público suíço até à conclusão das investigações, altura em que a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas poderá levantar o féretro. Em Portugal, os parentes de Florinda Ferreira aguardam as formalidades para poderem organizar o funeral.

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