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Família de vítima de legionela avança com ação popular contra "Pedro Hispano"

Família de vítima de legionela avança com ação popular contra "Pedro Hispano"

Advogado interpôs processo e explica que outros infetados também foram consultadas naquele hospital. Surto afetou os concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim. Morreram 15 pessoas.

O surto de legionela que atingiu os concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, poderá ter tido origem no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. Quem o diz é António Barreto Archer, advogado da família de Joaquim Maria Ferreira. O homem, de 85 anos, morreu a 5 de novembro. Foi o "paciente zero" do surto.

Archer recorreu à ação popular para responsabilizar os culpados ou, em última análise, o Estado. Mais de quatro meses depois, as autoridades de saúde continuam em silêncio. "Nas semanas anteriores, o meu pai só saiu de casa para ir comigo, de carro, a uma consulta no Hospital Pedro Hispano", conta Raquel Ferreira, que se constituiu assistente no inquérito-crime aberto pelo Ministério Público.

Joaquim foi ao médico a 23 de outubro. Seis dias depois, a 29, acordou "sem forças". À tarde, veio a febre, a falta de ar e foi internado. Morreu uma semana depois, no "Pedro Hispano". Causa de morte: pneumonia por legionela.

Raquel recorda, na véspera, o telefonema da médica. Abrira uma "exceção" para que o fosse ver. O coração de filha dizia-lhe para esperar o pior. Joaquim apertou-lhe a mão com força. Chorou. Raquel acredita que sabia que não o voltaria a ver.

"Seria normal que tivessem sido efetuadas todas as diligências necessárias para apurar a origem do surto e as eventuais responsabilidades do Hospital Pedro Hispano, enquanto possível fonte, mas, até à data, não se sabe se o hospital foi investigado", alerta Archer, lembrando que, como Joaquim, outras vítimas foram, nos dias anteriores, ali a consultas.

"Só queria saber quem foi o responsável", atira Raquel. O único telefonema que recebeu da delegação de saúde foi a perguntar "se tinha ar condicionado e água canalizada e como limpava a casa de banho", conta.

"Sendo um problema de saúde pública, cuja fonte consegue ser rapidamente identificada através de um inquérito das autoridades de saúde, no limite, a responsabilidade será do Estado que, por omissão, negligência ou incumprimento, não descobriu a fonte em tempo útil", acrescenta Salazar Castelo Branco, que integra a equipa de advogados.

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