Emigração

Família portuguesa retrata pobreza infantil no Luxemburgo

Família portuguesa retrata pobreza infantil no Luxemburgo

O caso de uma família portuguesa em dificuldades no Luxemburgo, denunciado numa reportagem da televisão alemã ZDF, levou dois deputados socialistas a questionar o Governo luxemburguês.

A reportagem da ZDF, emitida no início do mês, mostra uma mãe portuguesa com três filhos, a viver num apartamento insalubre com apenas um quarto para os quatro, um caso que os deputados socialistas consideram um exemplo da situação "das famílias monoparentais e do problema de alojamento".

Segundo o canal de televisão ZDF, uma das crianças sofre de alergias respiratórias, um problema agravado pelas infiltrações e bolores que cobrem as paredes do apartamento situado na capital luxemburguesa, pelo qual a imigrante portuguesa paga 850 euros por mês.

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A situação agravou-se depois de a imigrante portuguesa ter ficado desempregada, o que a obrigou a recorrer aos supermercados sociais para poder alimentar a família.

Questões ao governo

Na questão parlamentar, os deputados socialistas Franz Fayot e Taina Bofferding citam um estudo da Câmara dos Assalariados que indica que em 2013 cerca de 46% das famílias monoparentais viviam abaixo do limiar de pobreza, uma taxa que aumentou 19% desde 1996 e é superior à média da UE15 (32%), os 15 países que formavam a União Europeia até 2004.

Considerando que há "uma relação entre a pobreza infantil e a carestia da habitação", os deputados perguntam à ministra da Família e da Integração e à titular da pasta da Habitação "que medidas contam adotar para lutar contra o aumento inquietante da pobreza infantil, em particular nas famílias monoparentais", e que ações pretendem tomar "no setor do alojamento social".

À Lusa, o deputado Franz Fayot disse que a reportagem mostra "uma realidade que as estatísticas confirmam, mas que nem sempre é visível para grande parte da população luxemburguesa".

"A situação de pobreza em que vive parte da população estrangeira, sobretudo portuguesa e maioritariamente em famílias monoparentais, é real, mas às vezes passa ao lado dos políticos, porque afeta mais os estrangeiros do que os luxemburgueses", lamentou Franz Fayot.

Para o deputado do partido socialista luxemburguês, o problema é sobretudo "a escassez da habitação social, que não chega para dar resposta às necessidades", sublinhando que "há casos piores" do que o mostrado pela televisão alemã.

"A maioria dos estrangeiros não são proprietários da casa onde vivem, e são obrigados a pagar rendas muito altas, sujeitando-se aos especuladores, que cobram preços muito elevados por um simples quarto, às vezes com condições execráveis, piores ainda do que o que vimos na reportagem", disse à Lusa Franz Fayot.

Segundo um estudo do Statec que a Lusa noticiou em novembro, no Luxemburgo 22,1% dos trabalhadores portugueses estão em risco de pobreza, um valor superior à taxa da população em geral (15,9%), representando mais do triplo dos luxemburgueses na mesma situação (6,4%).

A questão parlamentar apresentada a 9 de abril deverá ter resposta no prazo de 30 dias, indicou o deputado Franz Fayot.

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